Topônimo Macau: é preciso pesquisar sempre

 

A Macau francesa fica no estuário do Gironde

Pacificamente aceito e repetido pelos anos, o topônimo Macau é tido como originário da Macau chinesa. Em 2005 na sua obra Um Rio Grande e Macau – cronologia da história geral, Getúlio Moura, à página 105 e seguintes acolhe a hipótese levantada pelo historiador Olavo de Medeiros, para quem “um exame mais acurado, a ser precedido com relação a Macau, talvez  permita uma explicação diversa daquela vigente, …”, ligando a origem do nome Macau em razão da Arara Macau [Ara Macao], uma espécie de ave muito comum na região e descrita pelos viajantes nos séculos XVI e XVII.  Na mesma obra à página 107, o autor de Um Rio Grande e Macau cita a existência da Macau francesa na região do Gironde. 

Agora em 2012 a macauense Fátima Paulet que reside há muitos anos na França visitou a Macau francesa [relato já publicado neste baú e que pode ser lido acessando: http://www.obaudemacau.com/?page_id=22881 ] e surpreendentemente levantou mais uma hipótese para a explicação do topônimo da nossa querida Macau. 

A Macau francesa remonta aos séculos IX e X quando foi ocupada por vários povos, como os  Visigodos, Sarracenos, Vândalos, Francos e os Vikings. O topônimo deriva do latim, “malum cavum”, lugar perigoso, de acesso difícil.  Considerando que os franceses aportaram em toda essa costa brasileira  desde o século XV, é de supor que a origem do topônimo Macau seria  em razão da Macau francesa, agora sim pela similaridade geográfica. É mais uma hipótese.

 

Macau, França

A intenção do baú de Macau em discutir este assunto é para mostrar que não devemos aceitar como palavra final  tudo o que nos dizem, ou o que estão nos livros. Não há dono da verdade. Todos temos o direito e a capacidade para duvidar sempre e trazer à luz um novo conhecimento, com novas dúvidas e novos desafios como fez Getúlio Moura e Fátima Paulet, baseados em hipóteses plausíveis. Assim avançamos.  

De Claudio Guerra para o baú de Macau