Uma campanha eleitoral nos sessenta de Macau

 

Campanha eleitoral em Macau-RN sob iluminação das piracas. Eram os sessenta.

A campanha eleitoral de 1960 para governador do Rio Grande do Norte, entre Djalma Marinho e Aluízio Alves, foi um divisor de águas de campanhas eleitorais. Pela primeira vez  utilizou-se profissionais de marketing, com marcas e estratégias. Em Macau, como em todo Estado, o verde era a cor de Aluízio e o azul e vermelho de Djalma que contava com o apoio do governador Dinarte Mariz. Decisivo no pleito foi a mensagem de esperança e renovação utilizada por Aluízio Alves que atingiu em cheio o povo e lhe deu a vitória. Pela primeira vez foram utilizadas bandeiras nas casas que indicavam o voto do morador. Os eleitores de Aluízio, bandeira verde e um lenço verde e branco. Os eleitores de Djalma, uma bandeira azul e vermelha e lenços azuis e vermelhos. Pela primeira vez também as passeatas ao som das zabumbas e alas moças. Á noite, piracas e lâmpadas Coleman na caminhada da multidão. E também as contribuições em dinheiro dos eleitores patrocinando as movimentações partidárias.

Inesquecível foi discurso de Aluízio Alves da sacada da residência de Afonso Barros (no prédio onde funcionou o INSS) com direito à fala de Benicio Barros, ainda criança, e a entrega da chave da cidade pela menina Hilma Coutinho. Depois, a multidão na Estação Ferroviária para a saída do Trem da Esperança com destino a Natal. As adesões de eleitores eram confirmadas no comitê e anunciadas nos alto-falantes para toda cidade. As bandeirolas verdes estendidas por toda Rua Pereira Carneiro, considerada o quartel general da Cruzada da Esperança.

Lembro-me do casal Justino e Dona Lourdes conduzindo uma imensa bandeira, sempre a frente das passeatas da Cruzada da Esperança. Lembro-me de Manezinho Tetéu, com uma radiola portátil fazendo serenata com os discursos e musicas de campanha de Aluízio Alves em  vinil. Lembro-me das mocinhas vestidas de ciganas e dos homens com grandes lenços verdes no pescoço, homenageando o candidato Aluízio, chamado de cigano por seus adversários. E por fim os grandes oradores de Macau: dos aluizístas, José de Arimatéia Xavier; e dos djalmistas [dinartistas], Floriano Bezerra. A campanha de sessenta foi a mais bonita e mais participativa que já aconteceu em Macau.

 De Getúlio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau