Das recordações de Getúlio Teixeira dos sessenta: o exame de admissão ao Ginásio

Terezinha, do Porto do Roçado estava preocupada com o exame de admissão.  Era muita matéria e mesmo com o cursinho de Anaíde e Diair, ainda não se achava preparada.  Difíceis eram as provas de geografia que o Doutor José Olavo preparava. Era de “tremer nas bases”: decór e salteado todos os países e capitais de todos os continentes e nomes e localização dos principais rios, montanhas e cordilheiras.  Era muito para tão pouca idade.   E para completar, a presença circunspecta, na sala da prova, do inspetor do MEC,   João Lindolfo, Coletor Federal em Macau. A prova de geografia era escrita e oral.  Na prova oral, 20 pontos para sorteio e que o candidato falasse tudo do assunto. Na prova escrita 10 perguntas,  valendo  cinco pontos e uma dissertação de mais cinco.   A prova de história, da mesma maneira, nome dos bandeirantes, navegadores portugueses, localização das tribos indígenas, e muitos outros assuntos.  A examinadora, Professora Anaíde Dantas, era simpática, mas exigente. Já a prova de Português, era gramatica com analise sintática de uma frase valendo cinco pontos  e uma dissertação com o tema escolhido na hora do exame.

            O exame de admissão ao ginásio era um mini vestibular. Foram muitas noites de sono sob a luz do candeeiro ou lamparina e ausência de festas, tudo para estudar e ter meu sonho realizado.  E também tinha as “simpatias” para saber qual seria o ponto sorteado da dissertação. Escrevíamos os títulos dos pontos em pedaços de papel e aleatoriamente jogávamos no quintal e o que a galinha bicasse seria o ponto escolhido para dissertação.

            Tudo isso seria mais fácil se contássemos com a internet disponibilizada hoje. No nosso tempo, no máximo tínhamos um mapa mundi, um globo terrestre e uma enciclopédia que podíamos consultar na Biblioteca Rui Barbosa.

            Passar no exame de admissão era o sonho de todo estudante. Além do desejo de frequentar um curso ginasial, tinha também a vaidade de  ser diferenciado. O aluno do ginásio era visto com admiração pela população. O seu valor era reconhecido, era motivo de orgulho para a família. Vestir a farda, calça, camisa bege, gravata cinza e blusão: o sonho de todo jovem.   Aprovado no exame era sair para o trote e muita comemoração, como esses aí da foto na década de 1960. Agachados, da esquerda para direita:  José Olé, Ivan Montenegro, Antônio Amâncio (Toinho Besouro), Bosco de dona Idalina, Laurênio Montenegro, José Lucimar Borja. Em pé, Juninho de Belarmino, Eronildes Carvalho (Lourinho), Oto Borja, Kleber Paiva, no centro da fotografia em destaque Geraldo Lucas,  do  lado direito com os braços erguidos Zé Pinheiro. Entre as mulheres da esquerda para direita, a segunda é Vilma Lopes (filha de Chico Lopes dos Correios), a segunda é Magnólia, filha de dona Judite, de perfil, Hilma Coutinho, Miriam Coutinho, Rosário Pimentel e Maria da Paz, filha de seu Epitácio. Foram os que consegui identificar.

De Getúlio Teixeira [getulioteixeira@yahoo.com] para o baú de Macau