Dr. Vulpiano em Macau, por Claudio Guerra

Dr. Vulpiano em Macau

 

Transporte em carro de mão que substituiu o balaio, década 1960

 

 Vulpiano Cavalcanti, médico vinha a Macau nas décadas de 40 e 50 curar enfermos e plantar sementes da democracia. Na entrevista que fizemos com o militante político Zé de Damiana [janeiro de 2010], ele narrou um fato da presença marcante desse brasileiro especial. Dr. Vulpiano não cobrava pelo atendimento médico. Ele ficava hospedado numa pensão na Praça da Conceição e dali saía para atender os doentes e para as reuniões com os trabalhadores. Uma noite, em reunião debatiam as condições precárias da vida dos trabalhadores em Macau quando vieram chamar Dr. Vulpiano para socorrer um homem que passava mal. O homem era um conhecido “dedo duro” que vivia denunciando os trabalhadores à polícia. Dr. Vulpiano ouviu o que os companheiros disseram sobre o homem e falou para todos no mais puro espírito cristão: – É nosso irmão e precisa de ajuda! E virando para Zé de Damiana o mais exaltado, disse-lhe: E você vai como meu assistente! Na casa do enfermo, este, depois da dor cessada, apelou que Dr. Vulpiano atendesse sua filha que sofria há muitos dias com o seio inflamado. Ela estava amamentando e sofria ela e sua filhinha recém nascida. Dr. Vulpiano prontamente atendeu a mulher, acabando com a dor e o seu sofrimento. Dias depois, ambos estavam curados. E os trabalhadores de Macau aprendiam mais um ensinamento com Dr. Vulpiano: a solidariedade.

de Claudio Guerra para o baú de Macau