Macau em 1886: Guerra fiscal e “classes menos favorecidas de fortuna”

O número 1 do jornal O Macauense, de 13 de agosto de 1886, traz duas recorrências do capitalismo: a guerra fiscal, disputa burguesa por monopólio, com exacerbação de práticas competitivas e a defesa do lucro individual, apoiando-se na classe trabalhadora, como se defensor dela fosse. Guerra fiscal é aquilo que os EUA acusam o Brasil hoje e é certo que prejudica a burguesia. Internamente, o Estado busca a melhor solução para a classe como um todo. Entre nações, manda o que tem mais força, pois a OMC decide muito pouco. Tomemos o caso de Macau. A notícia fala que a Assembleia Legislativa de Pernambuco taxou em 10 reais o litro do sal, quando a taxação aceitável era de 3 reais. A medida prejudica os proprietários das salinas de Macau que vendiam a 2$300 o alqueire de sal [100 litros] em Pernambuco e vai passar a vendê-lo 3$000, em razão do aumento da taxação. Melhor, muito melhor para os salineiros pernambucanos que vão equilibrar seus ganhos com a reserva do mercado imposta pela taxação.  Na reclamação, os salineiros de Macau alegam que os maiores prejudicados serão as “classes menos favorecidas de fortuna”, no caso os trabalhadores que pagarão mais caro pelo sal. Não, não se cogita diminuição do lucro.

Macau sempre foi o maior produtor de sal do Brasil, apesar de Mossoró ser conhecida mundialmente como tal. O movimento de embarcações em 1886 no porto de Macau era intenso e variado, com embarcações de todos os tamanhos e tipos, como revela uma nota do jornal, tratando só das embarcações no transporte do sal: 81 Iates, 10 Lugres, 3 Barcos, 19 Patachos, 13 Escunas, 5 Brigues 2 Palhabotes, 109 Barcaças e 18 Cuters, num total de 260 embarcações, com embarque de 15:147,404 litros de sal e  3:413$015 réis de receita para a província.

De Claudio Guerra para o baú de Macau