Romaria a Canindé

Foto de autor não ident., década 1950, alto-falante na praça, arq. desconhecido

Durante várias décadas o mês de outubro era marcado pelas romarias que eram realizadas para Canindé no Ceará. Geralmente as pessoas saiam de Macau no dia dois de outubro pela madrugada e chegavam a Canindé a tarde. As viagens eram realizadas em caminhões pau de arara, usando parte de boleia  e a carroceria. A carroceria era coberta com uma lona e as pessoas iam acomodadas em bancos de madeira. Os romeiros, na sua maioria, viajavam com alguma peça de roupa marrom, chapéu de palha e pouca bagagem. Tinham aqueles que tradicionalmente organizavam a viagem, eram responsáveis pelo transporte,  hospedagem e roteiro. Os organizadores mais tradicionais foram Seu Dudu, Compadre Bento e Tomaz Elesbão, depois surgiram os sucessores, Paulinho, Cidinho e outros.

                A grande maioria viajava para fazer promessa ou agradecer uma graça alcançada. As promessas eram as mais variadas, viajar com roupa marrom, a cor das vestes de São Francisco ou com o habito completo do Santo, seguir toda viagem descalça, levar foto da pessoa beneficiaria da promessa, braço, perna, cabeça em cera, etc. e colocar tudo na sala dos milagres. Alguns aproveitavam a viagem como passeio, para realizar compras em Fortaleza. A viagem de ida era acompanhada de cânticos de louvor e orações.  Era muito comum os romeiros levarem comida para se alimentarem durante o percurso, já que os locais de alimentação da estrada eram poucos atrativos.  A comida preferida dos romeiros era paçoca de carne seca, galinha torrada com farofa e sanduiches de pão com queijo, que eram conduzidas em mochilas ou em latas de biscoito.

                  Na volta tinha a parte turística, uma entrada na cidade de Fortaleza, passeio pelo comercio, mercado de artesanato, uma espiada na Praia de Iracema e volta para casa.  No retorno já não havia a obrigatoriedade dos cânticos religiosos nem tampouco das orações. A ansiedade para chegar era grande, distribuir os presentes com parentes e amigos que na sua maioria era de terços, imagens de Santos e Quadros, todos bentos pelos frades capuchinhos de Canindé. Obrigatório era trazer uma fotografia tirada com um Lambe-lambe ao lado da Catedral de São Francisco. Alguns romeiros faziam esse roteiro à pé e outros faziam o percurso de bicicleta, era o caso de Toinho de Antônio Bolão que realizou essa viagem inúmeras vezes.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau