Um trabalhador do sal e do mar

 

E. Valle, 1950, Barcaças com sal para os navios no Lamarão

Hipólito, era o seu nome. Depois, com o passar dos anos na faina diária nas embarcações da companhia onde trabalhava, o povo acrescentou, da Matarazzo. E assim ficou conhecido,  Hipólito da Matarazzo. Moço de Convés e de Máquinas na barcaça Aurora e nas lanchas Resi, Fili e Maria Pia, responsável por auxiliar nas manobras, no fundeio, atraque e desatraque e pela limpeza e conservação da embarcação. Assim era o seu trabalho, como o da maioria dos homens de Macau, nas lides do sal.

Hipólito que nasceu em 23 de março de 1910, filho de Manoel Felipe e Cassimira Barreto não ficou nem Felipe e nem Barreto, mas da Matarazzo.  A Matarazzo era uma das maiores empresas do Brasil e marcou sua vida, como marcou também a dos seus companheiros de labuta, o cunhado Aristóteles, Cícero Preto, Jorge Caiçara, Baracho, Dagmar, Deca Mauricio, João Baltazar, Chiquinho Santiago, Zé Costa e João Regis e muitos outros. Aposentou-se em 1968, quando os tempos ficaram ruins para os trabalhadores do sal.  Desemprego e desespero e os trabalhadores de Macau perguntavam: Faremos o que, nós homens do sal e do mar? Aos patrões pouco importava o que fariam, pois o lucro falava mais alto e mais lucro teriam com esteiras e grandes barcaças.  E foram milhares desempregados por esteiras e grandes barcaças.

Seu filho, bom de bola e de memória, ficou Zé de Hipólito. Em Natal, o técnico do clube onde jogou sugeriu:  É melhor Ribamar Cavalcanti. E ficou. Mas ele prefere Zé de Hipólito, que o faz recordar com ternura o pai, Hipólito da Matarazzo.

Das recordações de Zé de Hipólito, Claudio Guerra para o baú de Macau