Um pícaro macauense do sessenta

O nosso primeiro Rei Momo. 

Seu Santos, 1965, Vivaldo e Maria, Rei Momo e Rainha do Carnaval de Macau-RN

O primeiro Rei Momo do carnaval de Macau foi a figura marcante de Vivaldo Farias. O Gordo, como alguns amigos o chamavam, foi uma mistura de “bon vivant”, artista, musico e acima de tudo um cara com muita presença de espírito. Na década de sessenta criou um partido político na cidade que chegou a ser noticia na revista Visão, uma das mais conceituadas da época. O partido era o PITU (Partido Inimigo do Trabalho Universal), chegou a lançar candidatos a vereador e fazer comício na cidade. Lógico que tudo não passava de uma grande brincadeira. Organizou e botou para dançar literalmente, o pastoril de homens, ato que causou o maior “frisson” na cidade. A apresentação do pastoril aconteceu no coreto existente na Praça Velha (Praça Monsenhor Honório). Foi de Vivaldo a criação do primeiro trio vocal da cidade, composto por ele, Raimundo de Zé Lemos e Titico, animavam as manhãs alegres do cinema e festinhas de clube. Era um sanfoneiro razoável, apesar de ser dono de um ouvido musical bastante apurado.

Dono de uma criatividade fora do comum quando, um papo prá lá de divertido, quando o Gordo conversava em sua volta se formava uma patota, pois tinham certeza que iriam dar boas risadas.  Vivaldo, aproveitando o surgimento da luta livre no Estado, criou uma equipe de lutadores de luta livre para fazer apresentação nas cidades vizinhas. O primeiro passo foi escolher os lutadores e os respectivos nomes, surgiram Leão do Norte (Vivaldo) e Porca Russa (Neném de Eloi). Programaram uma luta para o Maracangalha, clube da cidade de Afonso Bezerra. Como material publicitário Vivaldo tirou uma fotografia plantando bananeira em um bilhar e Neném na mesma posição em um jipe, inverteram as fotos e mandaram fazer os cartazes de promoção da luta. Sinceramente não soube o resultado da tal apresentação. O Gordo, depois da retreta, era a maior atração da coluna da Praça da Conceição. Topava qualquer parada, desde que não fosse trabalho. Quando a memória ajudar contarei outras estórias do meu compadre.