Uma poesia de Nair Damasceno: Modernidades

Modernidades  

 

Onde esta a Margarida?

Ela estava em seu castelo

Nossa… Como era belo!

Vou tirando uma pedra,

Duas, três, muitas pedras

E atirá-las no jardim.

(Adeus cheiro de jasmim).

 

Vou tirar suas pétalas

Até que ela fique nua

Em meio aqueles destroços.

 

Cagê, 2008

Sozinha, nua na rua

Que será de Margarida?

Será que serve pra  adubo?

 

Terezinha de Jesus

Sem suportar sua cruz

Esparramou-se no chão…

No chão,  cheia de fraturas

Chorando suas agruras

Ficou mais fácil esmagá-la.

 

Cai, cai, balão

Cai, cai, o balão caiu.

Foi tão grande o fogaréu

Iluminou todo céu:

Destruiu a floresta,

O pomar e o jardim,

O parquinho de brinquedos,

Enchendo todos de medo,

Ofuscou a luz da lua.

 

O riacho que cantando

Corria nas redondezas,

Alem de sua beleza

Transbordava  alegria,

Ficou paraplégico, (quanta ironia);

Foi parar na UTI

Na mais extrema agonia…

 

Nem árvores, nem flores, nem ninho,

Nem canto de passarinhos;

Nem flores, nem Margaridas,

Nem o cheiro de jasmim,

Nem a luz do sol, e a lua

Já não  sorri  pra mim…

 

Nair Damasceno em 23 de agosto de 2011