Das saudades de Macau: de papangús e outras saudades

 

Papangú no carnaval de Macau, década 1980

Desculpem-me, sou de um tempo bem diferente dos dias de hoje. Sou do tempo que o noticiário era por Mardônio Sampaio da Rádio Verdes Mares e o futebol na Radio Globo ou Tupy do Rio de Janeiro. Imagem dos ídolos do futebol só pelas figurinhas dos álbuns.  Sou do tempo da brilhantina Glostora, Gumex e Laquê. Do pente Flamengo e espelhinho redondo no bolso. Camisa Ban-Lon ou fio Helanca, sapato, Cavalo de aço, calça jeans da Lee, importada e perfume da Avon.

Xarope, Bromil e fortificante, Biotônico Fontoura com o Almanaque do Jeca Tatuzinho. Phimatosan para revigorar, Asmac para puxado e criança só se curava com a homeopatia “Coelho Barbosa” e o especifico do Dr. Humphreys. Para fortalecer os ossinhos, Calcigenol irradiado. Para lombriga, Óleo de Rícino; torção, Emplasto Sabiá ou Breu e para as mulheres, após o parto, Agua Inglesa. Menstruação atrasada, Regulador Xavier nº. 1, nos excessos Regulador Xavier nº.2. Para engordar, Postafen.

Sou do tempo de confete e serpentina, dos bailes do Salão da Prefeitura, do Terpsícore, do AARU, da AABB, do ASPUMA e do Unidos. Dos carnavais dos papangús, dos blocos dos sujos, e do Passo da Ema de Virgílio Dantas;  dos Blocos do Sabiá, das Negas, dos Tenentes, dos Sombras, dos Bruxos, das Almas, da Equipicão, dos Mutantes e dos Irmãos Metralhas e também das Escolas de Samba, Os Imperadores e Azes do Ritmo  e por fim dos Índios de seu Manoel e do corso da Praça da Conceição.

Sou do tempo do Pastoril de seu Nino e de Lula Gacheiro, do Fandango na Nau Catarineta de Chico Palombeta e Antonio Bolão e do Coco dançado por Vermelho da Carroça no Sindicato dos Salineiros e dos bailes da Boa Vista.

Agora, olho e não os encontro mais… só saudades.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] par a o baú de Macau