Geraldo Sabino

 

Geraldo Sabino

Obra: História do Sindicalismo no Rio Grande do Norte

Coleção Edições Clima – nº 40 – 1985 – Natal-RN

O autor lista as associações profissionais e sindicatos existentes no Rio Grande do Norte, identificando a data da fundação. Em Macau e região ele aponta:

01] 12/03/1937 – Sindicato dos Estivadores de Macau-RN

02] 05/07/1939 [Decreto-Lei nº 1402] – Sindicato dos Estivadores de Macau-RN;

03] 31/08/1948 – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Sal de Macau

04] 02/01/1943 – Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Sal de Macau-RN;

05] 27/05/1944 – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do RN. [O Núcleo Sindical dos Bancários de Macau foi fundado 1986].

06] 04/04/1955 – Associação Profissional dos Conferentes de Cargas e Descargas de Macau-RN;

07] 30/04/1959 – Associção Profissional dos Práticos Arrais e Mestres de Pequena Cabotagem em Transporte Marítimo de Macau-RN;

08] 17/06/1960 – Sindicato dos Práticos, Arrais e Mestres de Cabotagem em Transporte Marítimo em Macau-RN

09] 01/12/1960 – Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria da Extração de Fibras Vegetais, de Cera de Carnaúba e do Descaroçamento de Algodão dos Municípios de Açu, Ipanguassú e Pendências do RN;

10] 13/05/1962 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pendências e Macau-RN

11] 27/12/1962 – Associação Profissional dos Pescadores de Macau e Guamaré-RN;

12] 08/01/1963 – Associação Profissional dos Arrumadores, Carregadores e Ensacadores de Sal de Macau e Açu-RN;

13] 18/02/1963 – Associação Profissional dos Motoristas, Condutores e Foguistas da Marinha Mercante de Macau-RN

14] 08/04/1963 – Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Macau-RN;

15] 04/10/1963 – Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria de Panificação, Confeitaria e Massas Alimentícias de Macau-RN;

16] 30/03/1966 – Sindicato dos Arrumadores de Macau e Açu-RN

17] 29/05/1969 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Afonso Bezerra-RN

18] 12/01/1972 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alto do Rodrigues-RN

19] 15/08/1975 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guamaré-RN

Na página 9/10 diz o autor que na plataforma da Aliança Liberal [Revolução de 30] constava o “ideal nacional para a organização das classes trabalhadoras em associações por categoria profissional…” Afirma ainda que: “a exceção dos barcaceiros e estivadores, as demais categorias praticamente não existiam …” e “… se mantinham … à custa de sangue, suor e lágrimas.” e que “Depoimentos insuspeitos de testemunhas e vítimas informam que, nos Portos de Macau e Areia Branca onde os embarques para o trabalho no lamarão se realizavam geralmente às três horas da madrugada, no trajeto das residências para o local de embarque, eram sangrentos os choques entre esses trabalhadores e as patrulhas da Polícia, que nas rondas noturnas, sempre embriagados, abordavam com agressões esses humildes operários, quer por sadismo ou a mando de interesses daschamadas forças ocultas. Fato é que, semanalmente ocorriam prisões, mortos e feridos. Mesmo assim, nesse clima de dúvidas e insegurança as classes trabalhadoras conquistaram do Governo revolucionário o seu compromisso de plataforma administrativa e na Constituição de 1934 era incluído o direito da representação classista nas Assembléias Legislativas, e o Rio Grande do Norte ganhava o seu primeito deputado classista na pessoa do Sr. Pedro Felipe Sobrinho, líder dos barcaceiros, e José Amaro de Souza, líder dos estivadores, como suplente, ambos eleitos pelo voto secreto das Assembléias conjuntas das duas classes organizadas, dos dois Portos, e, assim, abriam-se as portas da motivação para a organização sindical por categoria profissional, das forças propulsoras do progresso do País.”

Página 29 a 31 – “TRABALHADORES DOS SAL”

“ A categoria dos trabalhadores industriários, até o início dos anos 60, fora liderada pelos da extração do sal, que apesar do sistema de trabalho brutal, nas épocas de safra absorvia não somente os seus inúmeros profissionais propriamente ditos, mas, também milhares de camponeses que emigravam para as salinas de Mossoró, Areia Branca e Macau à procura de trabalho nesse setor.

A preparação do sal, colheita e transporte para os aterros, e posteriormente para as barcaças conduzirem aos navios cargueiros, como era normal nesse época, carecia de muita mão de obra. A permanência de mais de uma dezena de navios ancorados no lamarão desses portos, a espera de encherem seus porões para conduzirem para o sul do País, concorria para maior número de emprego. Esse trabalho, sem horário certo, era processado de forma contínua, porque à mercê dos horários das marés. Tanto podia ser noite como dia, o sal era transportado num balaio de cipó com um calão de madeira, nos ombros de uma dupla de homens usando roupas velhas, chapéu de palha e calçados com alpercatas de rabixo.

Eram alimentados à base de café, bolacha, farinha, feijão, carne de charque, fornecidos pelo barracão da própria salina que lhes cobrava preços duzentas ou trezentas vezes mais caros que os preços normais do comércio.

Os que moravam mais próximo das salinas tinham encontro com as famílias aos domingos, e os mais distantes uma ou duas vezes por mês. As condições desse trabalho desumano levavam esses pobres trabalhadores à condição de nas idades de quarenta a cinquenta anos aparecerem como verdadeiros trapos humanos, a maioria deles cegava pelos raios solares em choque com a brancura do sal. Outros portadores de volumoso calo no ombro ou com um defeito físico que se lhes apresentava ou ainda, o maxixe, denominação que era dada a uma doença que contraíam nos pés pelo contado com o potássio de sal, que iniciava rachando e depois engrossava a pele de tal forma, que se tornava difícil unir os dedos, e muitos deles ficavam impossibilitados de usar sapatos.

Éramos garotos mas lembramos muito bem dos comentários das festas de Nossa Senhora dos Navegantes, cujas últimas três noites do novenário eram patrocinadas por essas três classes, cada qual se empenhando mais em apresentar melhor colorido de fogos de artifícios e renda nas barracas de sorteios. Na última noite, depois de esgotado o estoque de mercadorias, em meio a banhos de cerveja, um friso do cabelo de qualquer pastora do cordâo azul ou encarnado, leiloado, chegava à soma astronômica de cem mil réis.

Esse estado de coisas, permaneceu até o início da década de quarenta e com o final da segunda guerra mundial e a redemocratização do País, estas e outras classes partiram para se organizar e reivindicar os seus legítimos direitos.”