O meu belo casarão: uma poesia de Hilma Coutinho

 

Antonio Retratista. Década 1950. Meninas-moças na Praça da Conceição, ao fundo os casarões.

Da sua infância e juventude em Macau a poeta Hilma nos traz suas recordações mais ternas.

O Meu Belo Casarão

 

O Meu casarão.

Sou do Rio Grande do Norte

Foi em Macau que nasci

Uma cidade tão bela

Lá eu cresci e vivi.

Residíamos á Praça da Conceição

Em um belo casarão.

Destaque naquela época

Por sua edificação.

 

Nosso lar que maravilha

Construído com muito amor

Um casarão tão bonito

Feito de carinho e calor.

Sua estrutura opulenta

Provocava olhares e atenção

Todos que por lá passavam

Admiravam o casarão.

 

Seus brilhantes construtores

Dois sábios cheios de querer

Meu pai, Godofredo Coutinho

E tio Augusto com muito saber.

A imensidão da obra

Desafiava os doutores

Confundia qualquer um

Por ousadia e valor.

De forma subterrânea

Construíram uma cisterna

Levava-nos a pensar

Ser uma fortaleza interna.

Toda criança tem sonhos

E também tem fantasias

Transportávamos no tempo

Ríamos com primazia.

O mistério nos rondava

Gostávamos de afirmar

Ser aquele um esconderijo

Para um dia nos abrigar.

Os mais jovens se interrogavam

Por tudo que eles viam

Criando um ar de mistério

Prá conhecer até pediam.

 

A fachada do casarão

Provocava encanto e fantasia

Para alguns era um castelo

Cheio de contos e magia.

Chegamos lá bem crianças

Cheios de encanto e amor

Crescemos tendo esperança

De um futuro promissor.

 

Porém a principal magia

Foi a família e o amor

Fomos todos bem criados

Nesse clima de fervor.

Respeitávamos nossos pais

Em qualquer ocasião

Para todo ensinamento

Sempre havia uma razão.

 

E o tempo foi passando

Juntos fomos crescendo

Desbravando nossos rumos

Os meios nos favorecendo.

Chegou a hora de partir

Estudar era preciso

Deixamos o nosso ninho

E os nossos pais queridos.

Não tenho como esquecer

A nossa infância querida

Repleta de risos e sonhos

Pela estrada da vida.

O meu belo casarão

Hoje está quase vazio

Mas faz parte de uma história

E de um passado bravio.

 

 

Hilma Coutinho, setembro de  2009