Trabalhadores do sal: Sindicato do Garrancho e guerrilha no Vale do Açu

 

Salinas de Macau, década 1940. Colheita, balaios e calões. Arquivo Getulio Teixeira.

Advertência: Quando você trabalhador tomar nas mãos sua Carteira de Trabalho, devidamente assinada pelo patrão com o reconhecimento dos seus direitos, saiba que eles “não caíram do céu”, foram frutos de longas e intensas lutas dos nossos bisavós, avós, pais, tios que os conquistaram pagando muitas vezes com a vida sua luta por direitos que hoje desfrutamos. É preciso que estejamos atentos, pois na Europa de hoje, estes direitos duramente conquistados estão sendo tirados dos trabalhadores num retrocesso impensável. A ganância de poucos milionários sufocando novamente o trabalhador. Fiquemos vigilantes para que não aconteça aqui a desgraça neoliberal que massacra nossos irmãos europeus. 

De Claudio Guerra para o baú de Macau

Trabalhadores do sal: sindicato do Garrancho e Guerrilha do Vale do Açu

Mesmo depois de legalmente ser reconhecida a organização sindical de trabalhadores no País, a repressão às entidades sindicais e seus representantes era prática comum.

A elite e seus governantes não aceitavam com facilidade a organização da classe subalterna. Para eles, tratava-se de uma pretensão descabida, que colocava em risco seus privilégios e a hegemonia social e política, que era tida como inconcebível.

Nesse ambiente obscuro e repressor, são os lideres operários salineiros organizados em seu sindicato. Foram obrigados durante muito tempo a realizarem suas reuniões no meio do mato, embaixo de uma árvore ou detrás de moitas, em lugares distantes da cidade, para se livrarem das perseguições policiais. Essa prática fez surgir o inusitado nome de Sindicato do Garrancho, para designar o Sindicato dos Salineiros de Mossoró. Era como se fosse o seu nome de guerra.  …  Eram 50 homens comandados por Manoel Torquato, sindicalista muito respeitado entre seus companheiros, principalmente na região do Vale do Açu. Ainda como mentores do grupo, faziam parte Manoel Moreira, conceituado rábula na região, e o engenheiro carioca José de Alencar, mais conhecido como Alemão.  Esse movimento guerrilheiro promoveu algumas ações armadas na região e chegou a ter 200 homens em suas fileiras, enfrentando com valentia os confrontos contra a polícia, fazendeiros e seus jagunços. …P 47 a 49 do livro Precedentes e Verdades Históricas – participação do nordeste na luta do povo brasileiro, de Rubens Coelho.