Ivo Ferreira dos Santos e sua contribuição na luta dos trabalhadores de Macau, por Floriano Bezerra

Com os trabalhadores do sal, fundei o SESTIS – Serviço Social dos Trabalhadores na Indústria do Sal. Precisávamos de uma pessoa com atributos de caráter, consciência política, inteligência, saúde, vigor, capacidade de trabalho e vontade firme de fazer acontecer as coisas. Convidei o jovem Ivo Ferreira dos Santos. Estava na Marinha de Guerra do Brasil, mas aceitou a incumbência. Da Arma, conseguimos  o seu desligamento, vez ali servia há 5 anos. Liberado, veio para Macau. Assumiu a trabalhosa função administrativa. Organizou a burocracia do Serviço, dando-lhe máxima agilidade. De modo que a imensa massa social vinculada era atendida com presteza e prontidão. Todo mereciam e sentiam, na prática, o melhor respeito e atenções devidas.

Ano 1962, convidado, Ivo integrou como Vice-Prefeito/chapa de Zacarias Francisco Rodrigues, líder máximo dos Marítimos, para Prefeito do Município. Decorridas as eleições, urnas apuradas, por 179 votos a chapa venceu a do então Vice-Prefeito Horácio de Oliveira Neto – impostura do dito Vice ao Prefeito Venâncio Zacarias de Araújo, par que fossem aprovadas as Contas Municipais da gestão administrativa. Como decorrência do fato político, foi eleito Albino Gonçalves de Melo, da oligarquia melo-varelista, Ex-Prefeito.  Passada a campanha, Ivo continuou à frente da gestão burocrática do SESTIS, cuja massa filiada/vinculada – tinha nele um amigo e competente escudeiro, ajudando à classe construir mais e melhores horizontes de vida. Estudou com afinco, fez vestibular para Direito em Caruaru-PE, passou com notas excelentes e 5 anos depois, Bacharel em Direito, fez-se um competente Advogado na Comarca de Macau, e noutras do Estado. Aí veio o golpe militar/64, em que várias prisões lhe foram impostas, só porque era diretor burocrático do SESTIS. Revoltado com o absurdo da injustiça, quando saía da prisão, não silenciava nas suas verdades contra o estado de coisas.

Depois, fez Concurso Público para Inspetor do Trabalho, obteve o 4º lugar, não tendo posse legal pelo regime autoritário. Foi aos Tribunais e venceu. O Poder Judiciário da República mandou empossa-lo, com direito aos salários atrasados na forma da Lei. Na função na DRT, um substancioso Abaixo-Assinado – Sindical reivindicou sua investidura como Delegado Regional. Nomearam o Dr. Ticiano Duarte, mas lhe deram, a convite, o honroso posto de Delegado Substituto Regional do Trabalho. Aí o Ivo Ferreira dos Santos, que sempre mereceu o meu máximo respeito, admiração e confiança pelos caminhos da vida. Do livro Minhas Tamataranas – linhas amarelas – Memórias do ex-deputado Floriano Bezerra de Araújo,   p. 262