A Biblioteca e seus habitantes, erudição do macauense Américo de Oliveira Costa

Autor: Américo de Oliveira Costa, um macauense muito especial

Obra: A Biblioteca e seus  Habitantes, co-edição, Achiamé e Fundação José Augusto, 1982, 2º edição revista e aumentada, Rio de Janeiro- RJ  e Natal-RN.

Sobre o livro:  “Não lhe direi nada de novo assinalando a visível originalidade de seu trabalho A Biblioteca e seus Habitantes, que não escapará a nenhum leitor. Seu livro encerra um mundo de leituras e ideias, em notável concentração”.

Carlos Drummond de Andrade, Carta ao autor, março de 1971.

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Na busca do detalhe desejado, da expressão exata, da fisionomia ou de gesto adequado às circunstâncias, às situações imaginadas, às personagens em  processo de criação, o artista, o poeta, o romancista estão sujeitos aos azares do acaso, ás surpresas dos contatos.

No livro humaníssimo sobre seu pai, Clara Ramos transcreve o seguinte depoimento de Clóvis Ramos: “Meu relacionamento com Graciliano Ramos era pouco, ligado apenas ao indispensável. Eu vivia preocupado, desde menino, com o gado e os problemas da lavoura. Não podia entender a mania de Graciliano pelos livros e jornais. Uma vez ele me procurou para saber algumas informações sobre a vida de uma fazenda. Perguntou não me lembro o que, e eu, irritado porque estava fazendo as contas de um gado que vendi, respondi rispidamente: Sei lá! Quem pariu Mateus que o balance! Graciliano me agradeceu, todo alegre, dizendo que era daquela frase que ele precisava.  

Página 135

… a biblioteca é arena, plataforma, torre, promontório, rosa dos ventos, ponte, estúdio, barco, fórum, centro de imantação e irradiação, dotado de poderes mágicos. Nela, como já se considerou, os seus habitantes tanto se entendem com se distanciam, em origens, naturezas, crenças, atitudes, destinos, soluções. E não apenas uns em relação aos outros: também quanto a si próprios, no inexorável exercício das contradições humanas, através da vida.