Alcanorte: esperança e frustração

 

Seu Santos, 1976, reunião com membros da direção da Alcanorte. AABB, Macau-RN. Arquivo: Laercio de Medeiros Bezerra

No dia 20 de outubro deste ano completou 36 anos do lançamento da pedra fundamental da Alcanorte em Macau. A empresa, criada para produzir barrilha, produto considerado de segurança nacional, foi recebida pelo povo de Macau como uma dádiva e redenção numa cidade quase fantasma e imersa no marasmo das salinas que por essa época já operava com máquinas e meia dúzia de trabalhadores. Em Macau, a ganância capitalista que vê o lucro e não enxerga os homens decretou de 1965 a 1975 o fim de milhares de empregos e jogou na rua os trabalhadores das salinas, das estivas e os outros. Não havendo trabalho não havia trabalhadores e nem consumidores e toda uma cadeia de produção na região restou prejudicada.  Nada contra a mecanização e a informatização que serão sempre bem-vindas, mas tudo contra um sistema que ignora a dor e desespero do trabalhador sem trabalho e salário.

Pois bem, nesse dia abençoado de 20 de outubro de 1976, operários, marítimos, pescadores, comerciantes e industriais da cidade tinham a certeza de dias melhores. Pais e mães com a esperança de um emprego para os filhos que não precisariam deixar a cidade e professores orgulhosos de viver e contribuir com aquele momento histórico. E todos os macauenses com o sentido patriótico de que se fosse preciso contasse com eles para apoiar aquele grande benefício para o Brasil.

Tudo em vão. Com baionetas, calaram os trabalhadores e seus sindicatos. Por inércia  calou-se o empresariado. A classe política só fala do tema nas eleições. Em Macau, durante todos esses anos, prefeitos e vereadores ignoraram o assunto. As últimas mobilizações em defesa da fábrica foram em 1990 e 1991 quando do processo de privatização. 

Seu Santos, 1976, reunião com membros da diretoria da Alcanorte. AABB de Macau-RN. Arquivo Laércio de Medeiros Bezerra

 

Agora, 36 anos depois o esqueleto da fábrica inacabada continua lá, servindo a que e a quem? Qual será seu futuro?  É necessário rever tudo. Saber como foram gastos os R$500 milhões de reais na fábrica inconclusa, saber o processo da privatização e até sua anulação, se necessário e encerrar de vez o “imbróglio” que mantém a empresa na insegurança jurídica.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.