Os cavaleiros cavalheiros de Macau da infância de Getúlio Teixeira

 

Foto E Valle, 1941, Cavallaria Cossaca no aterro, arquivo: Francisco F. Maia

Quase toda população de Macau era formada de pessoas que vinham do Vale do Açu, Afonso Bezerra e outras cidades da região. Trabalhadores da agricultura, vaqueiros, boiadeiros, pequenos comerciantes, etc.  Traziam com eles seus costumes e tradições. Era muito comum a criação de animais nos quintais, vacas para garantir o leite das crianças, burros para ajudar na busca da água e cavalos.

Lembro perfeitamente de algumas pessoas que possuíam cavalos em seus quintais, o capitão Pedro Tetéo, para seus passeios matinais, Alfredo Teixeira para suas viagens nos finais de semana à sua fazenda no Amargoso e Joca Idelfonso para visitar a sua fazenda nos Pocinhos.

No entanto quatro cavaleiros cavalheiros marcaram minha infância, João Jota, Francisquinho Laurênio, Romão Pinheiro e Zé Neblina. O cavalo, além de servir para as festas de vaquejada, era utilizado para passeios dominicais. Quando não tinha vaquejada os cavaleiros desfilavam pelas ruas empoeiradas de Macau esquipando em seus belos corcéis. Havia uma disputa para ver qual era o melhor cavalo esquipador e qual o melhor adestrador.  Zé Neblina e Romão Pinheiro disputavam o título de melhor adestrador, enquanto João Jota e Francisquinho Laurênio queriam ser apenas bons montadores.

Sempre bem vestidos, chapéu de massa, camisas de manga longa, calças de mescla, rebenque ao pulso e esporas aos pés, percorriam a cidade a procura de forrós para dançar e mercearias para molharem o bico.

 Esta era a Macau da minha infância.

De Getulio Teixeira [ getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau