Uma poesia de Horácio Paiva: Bizâncio

 

 

BIZÂNCIO

 A noite

guardo-a comigo

 

Não perdi Bizâncio

 

Afasto

dos conflitos

olhos mortais e espadas

 

Não perdi Bizâncio

como quer

a crônica medieval tardia

que sobrepõe império

a império

num jogo de ilusão

e fantasia

 

Há um escudo para o tempo

 

E longe do assédio das disputas

trago-a comigo

com o heroísmo de quem ama

 

 

E continuam a comover-me

a tarde púrpura

o declínio do sol no ocidente

o acender das luzes no terraço sobre o Bósforo

o abraço da noite.

 

 

 

                                   (Horácio Paiva)