O jogo do bicho em Macau. Eram os cinquentas

 

E. Valle, 1950, Macau, ao centro o Mercado Velho, arquivo: Professora Anaíde Dantas

Cultural.  Como no resto do Brasil, muitos macauenses viam no jogo do bicho a maneira mais fácil de aumentar os ganhos do mês. Sonhos, orações, palpites, intuição tudo era motivo para uma fezinha. Os cambistas tinham um ponto fixo ou percorriam as ruas de Macau na busca dos fregueses.  Durante muitos anos o jogo do bicho mais famoso foi o do Seu Baiá com Betinho Mendonça. A banca funcionava onde hoje é a pousada da família de Zé Antonio Menezes, no quadro do Mercado Velho. Depois outros bicheiros apareceram como Raimundo de Leão, Zé Lucimar e outros.

Na época do Seu Baiá eram dois tipos de sorteio, o jogo do Rio, cujo resultado vinha pelas ondas das rádios cariocas e o jogo da “fiché”, através da roleta nos fundos da casa de jogo. Considerado um jogo honesto – vale o escrito — bastava o jogador apresentar o “pule” e recebia seu dinheiro.

Os palpites eram excêntricos e curiosos. Uns tinham orações especiais para conseguir no sonho, o bicho sorteado. Outros amarravam as imagens dos santos esperando que viesse um palpite e havia ainda os que consultavam os palpiteiros de plantão.

Muitos estavam viciados. Uma boa senhora da Rua Tenente Victor era uma delas.  E os amigos do filho descobriram aquela sua paixão pelo jogo.  Combinaram horários diferentes para visitar a senhora e no final da tarde ela havia jogado em quase todos os bichos por sugestão dos meninos. Ganhou em alguns e perdeu em outros e no final restou empatado, mas fizera o maior jogo da sua vida e estava feliz.  Coisas da minha Macau dos cinquentas.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau