A balaustrada do rio Açu, um texto de Bevenuto de Paiva

Um jovem, um rio e um barco. Macau década 1950, Arq. Bevenuto de  Paiva

Para que não fique esquecida na memória da cidade,  que ressurja para a história, a balaustrada do rio Açu em Macau. Num privilegiados ponto, exatamente a seis metros da calçada da praça Monsenhor Honório era onde se localizava este belo cartão postal, com sua vista panorâmica do rio que se prolongava essa visão para a Ilha de Santana, a partir do muro do prédio do Sr. José Fernandes (pai de Aparício Fernandes) com um tamanho aproximado de quarenta metros.

Dava gosto ver qualquer barco navegar em qualquer sentido dentro do rio, especialmente quando as barcaças carregadas de sal saiam em direção a boca da barra, como era contagiante ver  os barcos maiores com suas velas desfraldadas saiam á procura do mar. Se não havia vento para impulsionar as velas, ali estavam sempre prontos os rebocadores Ricardo, Macau ou a lancha Liberdade para rebocarem até á entrada para o mar. 

Que mal fizeste, oh!  Balaustrada ao gestor de memória tão curta, que não sabe que patrimônio não é para ser destruído e sim conservado. Como era bonito ver os rebocadores no seu fundeio, como foi emocionante quando fundeou neste mesmo ponto os dois caça-submarinos da Marinha do Brasil já no final dos anos quarenta, em visita á cidade. Que espetáculo se assistia por ocasião da procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, quando os barcos iam até a Usina do sal e voltavam, já no final da procissão.   Quantas juras amor ouvistes de casais de namorados que  nas noites de lua se declaravam ou amores que se desfaziam. Tudo isso faz parte de um passado que nem o tempo destrói.

Bendito seja o teu criador, que idealizou a tua construção, que entre outros benefícios, além do embelezamento ainda servias para que os freqüentadores da praça, ainda ficassem ouvindo a retreta que era feita pela Banda de música, mais sossegado. Como foi infeliz o administrador que te destruiu, pois tu já fazia parte do patrimônio da cidade e portanto, devia ser mantida.

Apesar da tua destruição física, ainda assim permaneces na memória dos saudosistas, pois sei que os “artigos implacáveis de João Condé” ainda existem em fotos, em histórias ou outras aventuras.  Recordo que apesar de ter vivido muito anos sem visitar a cidade, mas qualquer lugar por onde  passava, ao avistar uma balaustrada, a do rio Açu em Macau não saia do meu pensamento.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

De Bevenuto de Paiva para o baú de Macau. Escreveu em Natal, 21/11/2012.