Relatório Veras em Macau. Em abril de 1964 os trabalhadores não se curvaram

No dia primeiro de abril de 1964, logo após a notícia do golpe, os trabalhadores de Macau decidiram por uma greve geral contra o referido o golpe e em defesa da Constituição Federal e do Presidente João Goulart que havia sido eleito com o voto democrático do povo brasileiro. Após quatro dias, percebendo que o golpe fora vitorioso — João Goulart se recusou a derramar sangue numa provável luta fratricida e refugiou-se no Uruguai — foram realizadas novas assembleias para suspensão da greve. Este ato de soberania dos trabalhadores de Macau custou-lhes violenta perseguição.  A comissão de Investigação criada pelo então governador Aluízio Alves que gerou o chamado Relatório Veras foi terrível com as lideranças sindicais e políticas de Macau.  O ex-deputado Floriano Bezerra foi um dos mais perseguidos em razão de ser um dos fundadores das Ligas Camponesas no Rio Grande do Norte. Floriano Bezerra foi acusado de guardar armas para uma rebelião. As armas só existiram na imaginação satânica dos inquisidores contratados pelo governador Aluízio Alves.

O chamado Relatório Veras de abril de 1964 resultado da Comissão de Investigação infelicitou muitos macauenses. O relatório, dividido em núcleos condenou com base em suposições. As lideranças operárias de Macau  foram vitimadas por suposições de seus algozes. E até artigos publicados no jornal O Nacionalista de Macau, serviu para a sanha acusatória de Domingos e Veras, os delegados que o Governador Aluízio Alves contratou no Recife. As acusações falsas e sobretudo maldosas destruiu não só as vidas daqueles patriotas que lutavam por um país melhor, como também da esposa, dos filhos, mãe, pai, irmãos, primos, tios, avós e amigos, os verdadeiros amigos. O Relatório Veras foi uma das maiores maldades cometidas em solo potiguar contra cidadãos de bem que queriam um pátria livre e soberana.

De Claudio Guerra para o baú de Macau