Navegantes, ex-Maruim: do livro de Getulio Moura, Um Rio Grande e Macau

Navegantes, ex-Maruim

 

Foto de autor não identificado, 2011, Maruim, agora Navegantes.

O bairro dos Navegantes, inicialmente, foi chamado de Maruim. O começo de sua ocupação foi na margem esquerda da Gamboa dos Barcos, na sua desembocadura para o Rio Amargoso/Açu. As famílias que ali se alojaram vieram do povoado de Bela Vista ou Guaxinim, que tiveram de abandonar. Dai uma nova comunidade se formou, se prolongando até o limite do lixão da cidade. Dez  anos depois, as dificuldades de instalação dessas famílias foram registradas pelo Jornal de Macau, que denunciava: “No vértice formado pelo rio Açu e gamboa do Porto da Areia, vizinho aos clubes AABB e BNB, está a parte mais miserável da cidade […] Dos sofrimentos, das violências, dos excluídos. Lá, fome e sangue se misturam. É o maruim das desesperanças”…” 36

- Relegados à própria sorte, os moradores da favela do Maruim vão convivendo a cada dia com a fome, as doenças, a miséria. Pescadores enfrentam o mar bravio na luta pela sobrevivência. Crianças garimpam o lixo e sem perspectivas se prostituem e se marginalizam. Os casebres são abrigos e ao mesmo tempo ameaças. A violência e o medo estão em cada esquina. O sangue e a morte são linguagem de homens embrutecidos pelo sofrimento, pela fome”. 36

A partir de 1994, com a construção da capela de Nossa Senhora dos Navegantes [feita pela freira Jeane e ajuda de escoteiros franceses], o nome de Maruim foi substituído por Navegantes e o bairro recebeu atenção do poder público. Em 2002, foi inaugurado um trapiche, um balaústre e um calçadão bem iluminado na margem do rio, desde a frente dos clubes AABB e BNB até os Navegantes.  

[36] Jornal de Macau/Folha de Macau – coleção – 1993/1996 e 1996/2002 – José Antonio Degas e colaboradores

Página 160 da obra:  Um Rio Grande e Macau, de Getulio Moura.