Absurdo: uma poesia de Horácio Paiva

Absurdo

  

sei que não consegues enxergar o absurdo 

 

(a palavra

                   esplêndida

                                       entendes

pois te chega como um susto)

 

eu te pergunto então pelo dia de ontem

e já não o vês

 

pelo de amanhã

e deste nada sabes

 

pelo minuto que passou

e já não o tens

 

pelo momento que supões viver

e não o reténs

 

aí já não consegues parar

e não há certezas

e nada podes definir

suspenso

como o equilibrista limitado a concentrar-se

na linha imaginária do tempo

colocada entre o mistério e sua inquietude

 

                                               (Horácio Paiva), Fazenda Lagoa Nova, Taipu, 2/11/2012