Adeus Galego Zilmar

 

Seu Santos, 1960, Zé de Aristotes e Zilmar Oliveira, arquivo de Zé de Hipólito

 A história do futebol de Macau ficou mais pobre, faleceu no último domingo o Galego Zilmar (Zilmar Heliodoro de Oliveira). Por muitos anos defendeu o Flamengo de Dona Pretinha, a seleção de Macau e até o América de Natal. Poucos tinham conhecimento desta sua passagem pelo time da Rodrigues Alves, graças a Zé de Hipólito que, durante o velório, exibiu o documento original da FND (Federação Norte-rio-grandense de Desporto) datado de 1953, que prova a filiação do Galego ao América, Zilmar nunca havia revelado esta sua façanha. Como se dizia lá em nós, não gostava de contar “goga”.

Para falar a verdade Zilmar nunca foi um craque da pelota se for comparado com outros jogadores da época, apenas um jogador mediano talvez ofuscado pelo irmão (Veió), este sim um fora de série do nosso futebol tupiniquim.  Atleta disciplinado, homem pacato, caladão, mas acima de tudo um amigo fiel conservador de suas amizades. Foi durante muito tempo funcionário da CCN onde respondeu pelo almoxarifado localizado no estaleiro, sendo depois transferido para o almoxarifado de Alagamar, onde se aposentou. O Galego era um boêmio, gostava de uma mesa de bar, uma boa música e boa conversa. Foi um dos fundadores da Escola de Samba Azes do Ritmo, jogou futebol de salão pelo Cabeça de Touro, pertenceu a equipe de voleibol do Centro. O Galego só tinha um defeito, era torcedor do Clube de Regatas Vasco da Gama. Afinal, ninguém é perfeito.

Imagino como será o encontro de Zilmar com aqueles que partiram primeiro, Nilton Oliveira, Dilson, Carapeba, Arara e tantos outros que com ele dividiram os papos da coluna ou as mesas de bar de Macau.  Vá com Deus meu amigo, na certeza que aqui na terra só plantaste o bem.

De Getúlio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau