Luiz Gonzaga, Melhoral e Amargoso

Luiz Gonzaga no Amargoso.

Nos idos dos cinquenta durante a tradicional vaquejada que Alfredo Teixeira – farmacêutico e criador de gado — promovia por ocasião do aniversario de Dona Delfina, sua mulher, um acontecimento singular ficou gravado na memória de todos que ali estavam. Num tempo em que só o rádio, ainda artigo de luxo, existia no fundão do país, a melhor forma da propaganda chegar nesses lugares era aproveitar as festas profanas e religiosas e botar lá um veículo com as bocas de ferro.

E então, nesse dia, vaquejada em curso, lá pelo meio dia, para surpresa de todos, vaqueiros, assistência e fazendeiros, eis que se ouve ao longe a musiquinha  “Melhoral, Melhoral é melhor e não faz mal!”. Inacreditável… Aquele som ali, no meio da caatinga, em direção à fazenda, deixou todos embasbacados e com os olhares voltados para a estrada.  E eis que aponta a camioneta vermelha, azul e branco com o Melhoral estampado por todos os lados. Era um presente surpresa do Seo Praxedes, representante do Laboratório para o seu grande cliente e amigo Alfredo Teixeira.

O presente era o cantor Luiz Gonzaga, já famoso no Nordeste e garoto propaganda do remédio, mas que ainda não era o “Rei do baião”. Luiz Gonzaga cantou algumas de suas músicas já festejadas pelos sertanejos, agradeceu a todos e sumiu na curva da pequena estrada do Amargoso. Inesquecível.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau