Os becos, ruas e esquinas da vida de Chico de Neco Carteiro

A Editora Sarau das Letras convida para o lançamento do livro Becos, Ruas e Esquinas de Francisco Rodrigues da Costa

Data: 19 de dezembro de 2012 às 18 horas

Local: Academia Norte-rio-grandense de Letras na Rua Mipibu, 443, Natal [RN]

 

É o quarto livro de Chico de Neco Carteiro. A orelha é do escritor Manoel Onofre Júnior, o prefácio do poeta e escritor Clauder Arcanjo e o  posfácio do escritor Claudio Guerra, editor do baú de Macau – memória e história.

Estivadores

Bem estruturado e de uma organização invejável, procurou-se, através de rodízio, não privilegiar associados na distribuição de tarefa a bordo dos grandes navios. O filiado tanto trabalhava num vapor pequeno quanto num grande. Naquele tempo, os cargueiros conduziam de 4 a 7 mil toneladas. Não quer dizer que não houvesse navio com maior capacidade. O Mandu, do Lloyd Brasileiro, carregava até 11 mil toneladas. Tal cargueiro, salvo engano, teve outros nomes. Não sei se com o nome de Comandante Martini terminou seus dias encalhado no lamarão de Macau.

Existia entre os associados a figura do capataz que orientava a distribuição da carga nos porões do vapor. Era pessoa de confiança do agenciador do cargueiro, sem constranger a autonomia da classe. Assim, Tião Duarte era o homem de confiança da Companhia Comercio e Navegação, como Júlio de Noca era da Costeira, Antonio Pixico do Lloyd Brasileiro, Chico Duarte de Wilson, Sons & Co. Ltda.  e Manoel Maria de Salicultores de Mossoró, Macau Ltda.

A Agência , responsável pela carga, requisitava os operários ao Sindicato. Fosse sal a granel, seis homens, também chamado terno, eram designados para o serviço de cada porão: 1 contramestre, 2 guincheiros, 2 “viradores” [esse termo usado] de tinas e 1 portaló. As tinas, nas suas capacidades, variavam de 500 ou 580, outras de 720 e algumas de 900 quilos. Saliente-se que o sal caído num só local fazia uma grande ruma. Daí a necessidade das figura do “rechegador”, que acomodava o produto no porão do navio.

Páginas 89/91,  Becos, ruas e esquinas, de Francisco Rodrigues da Costa, Sarau das Letras, 2012