De iates, rios e mergulhos: A Macau dos anos cinquenta.

 

Mabel no estuário do Rio Açu em Macau, década de 1950

Na minha infância encantava-me a chegada dos iates da Severo & Irmãos no luminoso e plácido rio maré, estuário do Açu, o rio de Macau. Eram três, Barroso, Ricardo e Upanema, comandados por Maninho, Justino e Antão. Seu Maninho era um homem baixinho e morou muitos anos na Pereira Carneiro, vizinho do Cinema São Luiz.  Justino, seu genro, era casado com Lurdes.

Os Iates levavam sal para o Recife e João Pessoa. Eram embarcações bonitas, de três mastros:  traquete, vela grande e coringa. No mastro central, o cesto da gávea, o lugar de observação dos marinheiros. Barco fundeado e divertimento certo para a meninada. Divertíamos nas escadas dos mastros, nossos trampolins para o mergulho na maré. E cada um desafiando o outro e testando habilidades. Eram mergulhos fantásticos e quanto mais alto, mais fama ganhava o mergulhador e onde os melhores eram Diposa de Gamboa, morador da Tenente Victor e Zito de Ceará.

Recordo que por um bom tempo o lastro dos iates era areia de praia. Um rio maré de lama que deveria se tornar praia nas frentes das casas e permitir um banho de mar. E então, as embarcações traziam a areia e depositavam nas margens do rio. Em vão, o rio escorria levando a areia consigo. Aquilo nunca se tornou praia.

Dia de festa era a chegada dos iates, comemoradas nas casas dos comandantes, afinal eram vários dias no mar. Um almoço que reunia a família e os amigos festejava mais uma missão. Recordo que participei de alguns desses almoços com meus amigos Flavio Ricardo e Roberto e também com Claudio e Laércio, que hoje moram em Niterói. Eles eram filhos de João e Álvaro Melo, sócios da empresa. São lembranças de uma infância feliz.

 De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau