História do Rio Grande do Norte

Autor: Luiz da Câmara Cascudo

Obra: História do Rio Grande do Norte – Achiamé, Fundação José Augusto, 1984, Rio de Janeiro e Natal.

Macau – é terra de salinas e pescarias, com raros moradores que se fixaram apenas nos meados do século XIX. Ainda em 1799 a Ilha de Macau não era habitada e coberta de matos, alagada pelas marés de lua. Um núcleo de povoação era na ilha de Manoel Gonçalves que se foi abatendo e desapareceu em 1845. Os seus moradores vieram para a terra firme que já tinha o nome de Macau desde fins do século XVIII. Outros pontos foram Alagamar, Guamoré ou Aguamaré. A primeira autoridade foi o juiz de Paz, Francisco Trajano Xavier da Cunha. O juizado de Paz criado pela lei 100, de 27/10/1843, fora provocado por um abaixo-assinado, com 44 nomes, informando da entrada de 70 a 80 barcos de comércio por ano. Em 4/9/1845 os macauenses enviaram outro abaixo-assinado, com 138 nomes, pleiteando o município, explicando da existência de 35 proprietários, 25 comerciantes e as possiblidades econômicas locais. Apesar de parecer favorável o projeto caiu. Provocados por outra solicitação, a 23/9/1847, os deputados José Henrique de Oliveira, João Inácio Loiola Barros [padre], Vitor José de Castro Barroca e José Loureiro de Almeida apresentaram a 25/9/1847 um projeto que foi a lei nº 158, de 2/10/1847 [Moraes Sarmento], transferindo a sede do município de Angicos para a Povoação de Macau que se tornava Vila de Macau. É de notar que 29 moradores de Guamaré protestaram contra a pretensão de Macau. Guamaré desejou ser a Vila Imperial de Guamaré, pleiteando essa elevação em setembro de 1837, com 234 assinaturas num memorial enviado à Assembleia Legislativa Provincial. Na sessão de 28/7/1874 os deputados Braz Marcolino de Andrade Melo, Avelino Ildefonso de Oliveira Azevedo, Francisco da Silva Saldanha, José Batista dos Santos Filho e Rafael Arcanjo da Fonseca apresentaram o projeto que originou a lei nº 761, de 9/9/1875 [José Bernardo Galvão Alcoforado Júnior] elevando ao predicamento de Cidade a Vila de Macau, Distritos, sede e Pendências”.    … páginas 334 e 335