Mossoró, Lampião e o relatório do gerente do Banco do Brasil. Era 1927. [6/7]

Providencias do Banco do Brasil

Dividido em 7 posts, o baú de Macau está publicando neste  dezembro  o chamado Trecho do Relatório da Agencia Local do Banco do Brasil S.A. referente ao primeiro semestre de 1927, no qual estão feitas descrições do que foram os dias de terror para esta região em virtude dos ataques dos bandoleiros de Lampeão a Mossoró.

Providencias tomadas pela Administração da Agencia para defender os interesses do Banco: Na mesma noite em que tivemos certeza de que o bando sinistro para esta cidade se dirigia, fomos á Agencia e collocamos dentro de dois cofres existentes todos os papeis, livros e documentos.

No dia do ataque a esta cidade, horas antes, transportámos para Areia Branca, como medida de prudência, o numerário então existente, que montava a R$. 912:064$081, depositando-o no cofre que temos naquella villa, na Agencia da Cia. Nacional de Navegação Costeira.

Vinte e quatro horas após o ataque desta cidade, que ficou unicamente occupada pelos seus defensores, regressámos com os numerários. Entretanto, ao aqui chegarmos, verificámos que a situação era de franca insegurança, sendo a cidade, de quando em vez, sacudida por toque de alarme, uma vez que não havia ainda certeza, durante alguns dias que se seguiram o ataque, á falta de comunicações, porque o grupo tinha cortado todos os fios telegráficos, onde este se encontrava e mesmo porque se receiava novo ataque [1].

Como se encontrasse completamente fechado o commercio local, só reaberto cerca de 8 dias após o ataque, como tambem porque os comerciantes e respectivas famílias se encontrassem refugiadas em Areia Branca, resolvemos transportar para Natal o alludido numerário, o que fizemos por intermédio do Snr. Contador da Agencia e mais dois funccionários , em 16 de Junho ultimo.

A nota é do baú de Macau

[1] A situação era mesmo de insegurança. Na mensagem lida perante a Assembleia Legislativa na abertura da primeira sessão da 13ª Legislatura em 1º de outubro de 1927, o presidente José Augusto Bezerra de Medeiros destaca que “No relatório do Diretor do Departamento de Segurança há a indicação das medidas que devem ser postas em execução para que possamos robustecer a nossa defesa e assegurar a nossa tranquilidade. De minha parte, só considero perfeito o serviço da segurança pública, dentro do Estado, quando tivermos além das guarnições locais, pelo menos dois destacamentos de cavalaria, de quarenta a cinquenta praças cada um, com montadas próprias, para que fiquem eles a salvo da tutela dos empréstimos de animais e arreios, que segundo temos observado, retardam a marcha das operações, a ponto de anulá-las por fim.”