Dos pregões da Macau dos cinquenta: das memórias de Getúlio, menino da Praça da Conceição

 

E. Valle, década 1950, Macau[RN]

Iniciamos este 2013 com as belas recordações do menino Getúlio. Eram os cinquenta em Macau.

Os vendedores de rua.

Eles percorriam as ruas da cidade com as tranças de alho e cebola penduradas no ombro. Com pratos de ágata enrolados em panos de algodão branco, os vendedores de búzios. Outros vendiam saúnas, em pratos. Os de caranguejo carregavam as cordas penduradas entre os dedos. Os  “turcos” vendiam tecidos, colchas de cama e tapetes  em grandes malas de couro. E por fim gritando pelas ruas, os famosos vendedores de redes que vinham do Ceará.

Não tinham dia certo, podia ser qualquer dia da semana. Vinham de lugares distantes: os de cebola e alho, do Agreste de Pernambuco;  do Recife, os “turcos”, com sotaque carregado e língua “enrolada” traziam as mercadorias das grandes lojas e nem eram turcos, a maioria sírios e libaneses que aqui ganharam o apelido de turcos.

O que chamava atenção era a maneira como expunham seus produtos, eram tranças artesanalmente confeccionadas com um colorido de encher os olhos, cebola roxa, cebola branca e alho. As famílias mais abastadas compravam a trança completa e estocavam em suas dispensas já que o produto não era encontrado com facilidade. Comum também eram as tranças expostas nas mercearias e vendidas por unidade. O freguês encostava-se ao balcão e pedia ao bodegueiro uma cabeça de alho ou uma cabeça de cebola.

Nesse mercado sobrava para os nativos a venda dos produtos locais, o búzio (marisco), a sauna, os canguitos, todos vendidos em pratos. Já os caranguejos eram vendidos amarrados em barbantes e a porção era chamado de “corda”. Lembranças de uma infância feliz.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau