Uma poesia de Horácio Paiva: A hora rasa

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            A hora rasa

 

não há mais onde abrigar-se

o quarto é um símbolo mudo

e a calmaria

sinal de perigo

 

os odres estão vazios

e muita cautela é preciso ao pisar

as nuvens de silêncios inflamáveis

 

outrora havia rumor de tambores angustia por cage 2DSC02616

que anunciavam a chuva

mas os ventiladores pararam

 

o quarto está despido

sem sombras e sem luz

sem qualquer movimento de espera

exceto a expectativa

de que uma porta se abra

e retorne em triunfo                       

a exterioridade dos ruídos

                                   (Horácio Paiva)

 

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