Pureza Derramado da Princesa Izabel: das recordações do menino Getúlio

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Rua Princesa Isabel década presumida 1960, arquivo: Leão Neto

Rua Princesa Isabel década presumida 1960, arquivo: Leão Neto

Ao ver a fotografia da Rua Princesa Izabel da década de 30, me transportei para o passado, para a década de 50 numa casinha humilde, piso de barro batido, baixinha, com uma porta e uma janela e que ficava quase no final da rua, onde morava Pureza Derramado, para mim mãe Pureza. Viúva, mãe de seis filhos: Maria, a melhor costureira de calças masculinas da cidade; Ana, minha babá; Lourdes, Francisco, Antonio (Minha Burra) e José (Zepelim). Criou todos botando água de ganho em uma jumentinha com quatro latas ou tecendo estopa para calafetar as barcaças da Companhia Comércio e Navegação. Para quem não alcançou devo lembrar que as barcaças, na sua maioria, eram de madeira e para evitar fazer água, na linguagem do marítimo, havia a calafetagem. A CCN fornecia a estopa e Mãe Pureza fazia as tranças para serem aplicadas na calafetação das barcaças.  Aquela casa baixinha era meu refugio e quantas fugas empreendi em busca de um prato de caíco com pirão escaldado, todos sentados ao chão em volta de uma lona estendida. Essa comida simples tinha um sabor todo especial, o sabor da humildade, da simplicidade e do carinho que tinham por mim. Pureza Derramado uma guerreira da Rua Princesa Izabel. Felizes são aqueles que têm do que lembrar, lembranças de uma infância feliz.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau

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