Noites de boemia em Macau. Eram os cinquenta e sessenta

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Bar de Xixis Borja - década 1960. Macau-RN

Bar de Xixis Borja – década 1960. Macau-RN

Final de semana, barcaça fundeada e hora de curtir a vida. Para quase todos os marítimos era isso depois de uma semana de trabalho pesado. Com Bate Asa não era diferente: tomaria aquele banho, vestiria roupa decente, colocaria o caxangá e rumaria para a “Coréia”.  No cabaré, tripé, bebida, dança e mulheres. Mas antes passaria no bar de Manoel Borja e faria um esquenta para levantar o astral.  Chegaria na fuzarca animado e desinibido.  

Ao longe ouviria o trombone de Luiz de Madalena  e  o baterista Cadete cantando “Carmelita você foi ingrata, fe de mim gata e sapata” e depois o pandeirista Aponga cantando “Omanidade”.  Eram eles que  animavam a Coréia de Zé Lemos, com tangos, boleros e sambas.

Um salão amplo e uma lâmpada Colleman. Mulheres bonitas, rouge, Angel face, batom escarlate e ar perfumado. Decotes, vestidos estampados e saias compridas. Nas ruas de Macau elas eram identificadas pelas saias compridas: boas freguesas e bem recebidas nas lojas.

No salão movimentado o garçom Canindé Ligeirinho corria para atender a todos servindo bebidas ou passando informação — uma recém chegada do Recife, bonita que só! A informação, preciosa, lhe rendia um dinheirinho extra.  

Pela “Coréia” de Zé Lemos passaram belas mulheres que só usavam nomes artísticos. Dentre eles, Helena de Tróia, Maria Bola de Ouro, Dolores, Francisquinha Loira e tantas outras. Boas lembranças da Macau do passado.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau.

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