É carnaval. Getúlio Teixeira nos conta de carnavais passados. Bons carnavais de Macau

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Carnaval das antigas.

035 Foto ano bloco carnavalesco Macaca arq GTCom a aproximação do carnaval me veio lembranças dos carnavais de antigamente.  Pedrinho de Paiva morava na Rua da Gameleira,  esquina da travessa  que vinha da Tenente Victor.  Não lembro sua profissão, mas sei que, por ocasião do período de momo, ele fazia mascaras  de papangús utilizando sacos de cimento, grude de goma, anilina e muita criatividade.

Puxando um pouco pela memória lembrei-me das laranjinhas, bolinhas de parafina com água perfumada que ao ser arremessado estourava deixando um perfume bastante suave.

 Não se pode falar do carnaval de antigamente sem lembrar Zé Badalo. Fiscal da prefeitura, músico e dono de uma criatividade impressionante. Pelo carnaval,  ele montava uma barraca onde vendia lança perfume Rodouro, serpentina, confete e adereços para fantasias. Na sua barraca tinha o jogo do preá – criado por ele — 25 pequenas casinhas numeradas e colocadas em circulo, no centro uma casa maior onde ficava o preá, quando ele levantava a casa do animal e tocava a sineta o bicho procurava uma das casinhas para se esconder e a casa que ele entrasse seria a premiada.

Não me esqueço também do galego que vinha todas as tardes, vestido de mulher e varria a rua onde passaria  o corso. E Babaquara que todo carnaval tentava brincar sem ser reconhecido, mas, por mais que escondesse o rosto, uma deformidade nos pés o denunciava. E o homem do bloco da perua, outra figura do carnaval, era baixinho e saia com um estandarte de uma perua, mas nunca conseguiu atrair ninguém para seu bloco e ficou mesmo no bloco do “eu sozinho”. Como esquecer o Bloco do Lobo de Damião Gama, a Macaca de Zé Badalo, o Passo da Ema do grande Virgilio Dantas com seu chapéu de couro enfeitado com um macaquinho, o bloco dos Remadores, verdadeiro clube da Luluzinha onde só brincavam moças sob o comando de Dona Nazinha de Zé Bianor.

E os bailes da Prefeitura — quatro dias de carnaval e duas matinês, no domingo e na terça feira gorda. Nos bailes noturnos só entravam convidados e era difícil conseguir um convite e quem não conseguia o ia lá no Bar Rochedo, baile mais popular e animação maior que ia até o dia amanhecer.

Mais tarde vieram os bailes do Terpsícore [o segundo Terpsícore], os da AABB e por falta de local mais apropriado, os do Gabiru, o Gabiruzão, o antigo mercado publico, hoje o Centro Comercial Afonso Barros.

Era assim o nosso carnaval, simples e cheio de muito amor, camaradagem e emoção.

De Getulio Teixeira [getulioteixeira50@yahoo.com.br] para o baú de Macau

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