Em Macau, sempre a super-extração

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Desastre ambiental que provocou a morte de milhares de peixes 1999 em Macau-RN

Claudio Guerra, 1999. Desastre ambiental que provocou a morte de milhares de peixes em Macau-RN

De Macau, desde os primeiros tempos, o sal: extração, super-extração. A cidade com pouca presença do Estado, quase nada. Os comunistas preocuparam-se com o destino dos cidadãos macauenses, mas eram comunistas e por isso não foram ouvidos. A igreja do Monsenhor Honório também se preocupou e fez o que lhe cabia, mas igreja oficial está sempre do lado do “mais forte” e o trabalhador de Macau não era o “mais forte”. Os políticos de Macau sempre submissos pediam, como ainda pedem a benção dos coronéis que as davam e ainda as dão junto com quinquilharias.

A cidade sob o sal e a indústria salineira sobre a cidade, foi o que magistralmente nos mostrou o arquiteto João Batista do Carmo Júnior na monografia de mestrado, Geografia da dominação [http://www.obaudemacau.com/?page_id=1223]  

Houve quem lamentasse a situação de abandono da cidade. A palestra no dia 11 de agosto de 1963 do Juiz de Direito Elias Borges da Costa na Câmara de Vereadores de Macau é esclarecedora: Macau geograficamente é uma ilha. No setor cultural e intercâmbio econômico é uma ilha. Socialmente é uma ilha. […]  No setor educacional, já disse: Macau é uma ilha. Foi por essa época que a Grupo Escolar Duque de Caxias começou a desmoronar sob o olhar impotente do povo.  

Depois veio o petróleo e mais super-exploração: prostituição e drogas. Foram profundas e rápidas as transformações que toda a região sofreu em razão da exploração petrolífera, sem quase nenhuma resposta do Estado para saúde, educação, ação social e tímida ação social das empresas petrolíferas. Não fossem os programas do governo federal na última década, as coisas estariam piores.  Agora, a prefeitura de Macau gasta 4 milhões de reais  no carnaval num município onde ainda existem latrinas nas casas.

Havia encerrado com essa história de 4 milhões de reais, mas eis que recebo a notícia da operação do IBAMA na região, agora no final de fevereiro e que resultou em  R$80 milhões de multas e 19 áreas embargadas. Às multas recorrerão até os fins dos tempos.

A degradação ambiental na região de Macau não é nova e contribuem governos e iniciativa privada, desde sempre. O objetivo é o lucro e dane-se povo e ambiente. Não deveria ser assim, nem no capitalismo.  

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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