As Paralelas de Nair Damasceno

0

Paralelas

Barrinhas brancasEra de uma beleza doce e de uma suavidade nunca vista. Tentou se aproximar e algo o impedia; insistiu nessa aproximação, mas havia um quê flutuando no ar, algo gelado.Na roda de ciranda aquela mão segurou sem graça sua mão, parecia ser contra vontade e soltou antes do momento certo; aquela mão não aquecia, não acolhia e sua mão ficara sem movimentos. E o olhar? Ah, aquele olhar sem brilho de quem não tem vida (lembrou os olhos das pessoas quando morrem).Sorriu para ela e ela sorriu suavemente; mais uma vez ele sentiu-se pouco à vontade; gostava de um sorriso franco e aquele era sem graça, sem vida, um sorriso com a boca fechada, que não mostrava os dentes, onde já se viu? Talvez os signos não combinassem, as energias se repelissem, os santos não casassem, era uma coisa inexplicável, completamente fora de lógica, principalmente por ser ele quem era. Ele não tinha rosto, mas era desejado ardentemente por todos, cabia em qualquer espaço, entre as mais diferentes pessoas e ideologias mais antagônicas. As religiões adoravam exaltar seu nome, os jovens o aguardavam ansiosos, os mais vividos orgulhavam-se em tê-lo preservado. Os tímidos gostavam de escondê-lo, os poetas de enaltecê-lo, os loucos de confundi-lo com outra coisa e em seu nome cometiam loucuras e descalabros. Aqueles que se perdiam em meio ao caminho buscavam-no constantemente em busca do caminho certo. Ele se sentia o poder maior, desejado, adorado, esperado, e aquela rejeição mascarada, aquela incompatibilidade vinda lá de dentro, do íntimo do íntimo, do âmago da alma querendo demonstrar uma aceitação forçada não dava para entender. Era como se existisse uma parede de vidro imperceptível, apenas sentida. Quem seria? De onde teria vindo? O quê faria? Que mistério esconderia?  Jurou desvendar tal segredo; investigaria até ter as respostas em suas mãos; iniciaria investigando a identidade. A resposta veio de imediato e qual não foi sua surpresa ao descobrir que aquela criatura envolvente, de uma beleza doce e uma suavidade nunca vista era a Amizade. Encontrou então a resposta para todas as suas percepções e partiu em silêncio: ele era o Amor.    Nair Damasceno, em 1 de janeiro de 2013.

Deixe uma resposta