Homenagem do poeta Horácio Paiva às mulheres

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                          MÃE

 

Mãe

devo-te este poema

que sempre

seguirei querendo

escrever

 

esperei fazê-lo

em toda a minha vida   meninos do lar sem moldura

 

esperei o sol

e a lua

 

e ambos passaram

e voltaram

com palavras mudas

douradas e

pálidas

 

versos

trouxeram-me as estrelas

o mar

e os rios

 

versos que devolvi

aos livros

e ao tempo

que os prendia

 

mas o teu poema

estava sempre

aquém e além do tempo

 

e a voz para dizê-lo

não me pertencia

 

mas vi-o

em teu ventre

 

onde vi nascerem

as dimensões da vida

 

e as dimensões

de Deus

 

e se o amor triunfa

em caminhos infinitos

 

não pode haver começo

ou fim

para o teu poema

 

 

                   A PROCURADA

 

 

                                   (Ou “Poema das Ambivalências”)

 

                                   Aos amantes da arte poética, este ensaio.

 

 

a primeira viera

cheia de enfeites.

gongórica,

não convencia

(afinal, eu não queria uma festa).

 

a segunda também não animava:

era muito pobre.

 

silhuetas 2a terceira e a quarta

de sapatos altos

disputavam

um lugar ao sol.

 

a quinta, exibida

pecava pela nudez esquálida

(dela não se extrairia

sequer um gemido).

 

a sexta, inconformada

neste mundo de disfarces

perdia-se nas trevas.

 

a sétima, porém

veio do nada

com o charme da ilusão

e o dom da graça  -

 

esta é minha musa

esta é minha mulher.

 

 

Horácio Paiva

 

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