Um dia de páscoa no Duque de Caxias: das ternas lembranças de Nair Damasceno

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Lembranças retiradas do meu baú para o baú de Macau

Páscoa dos alunos da 5ª série do Grupo Escolar Duque de Caxias

Duque_11arq FFMInício dos anos sessenta. O tema dos trabalhos em sala de aula era a inauguração da nova capital do país.  A professora dona Judith passou para todos os alunos uma dissertação sobre a fundação de Brasília, a melhor classificada seria lida em sala de aula. Caprichei, mas não tive sorte, ou melhor, competência e o primeiro lugar foi para a dissertação de Vilma Pinheiro. 

Todas as instituições festejavam sua páscoa em grande estilo e a páscoa do Grupo Escolar Duque de Caxias era um grande evento. Os alunos da 5ª série tinham grande responsabilidade já que eram os mais adiantados. As comissões foram formadas: as responsáveis pela “arrumação” (a palavra “decoração” não era de domínio público) do grupo, da igreja e a comissão responsável pelo café. O grupo foi enfeitado com cartazes e bandeirinhas, carteiras em círculo e toalhas de labirinto sobre as mesas. Eu fiquei na comissão dos bolos que foram feitos na casa de Vilma (nós não fizemos nada, quem fez tudo foi a mãe dela, lindos bolos em forma de coração). À tardinha fomos todas “se confessar” e após as pequenas penitências que pagávamos cheias de contrição, fomos para casa, nada de conversinhas aquela noite, só na saída da igreja uma querendo saber a penitência da outra: três Ave Maria, dois Pai Nosso, cinco Ave Maria, variava; as que tinham namorados a penitência era maior. 

No dia seguinte pela manhã acompanhávamos emocionadas a missa celebrada por padre Zé Luiz e logo depois o café na escola. O convidado de honra era monsenhor Honório que aparecia acompanhado por alguns escoteiros; dona Judith feliz, e nós, santas naquele momento.

De Nair Damasceno para o baú de Macau em 23 de março de 2013.

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