A praça

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A praça

Bevenuto Paiva[*]

A Praça da Conceição, maior símbolo cívico da terra do sal, ponto de concentração de políticos, religiosos,esportistas, blocos carnavalescos e de uma juventude vibrante que hoje está dispersa.

Em ti nasceu a primeira escolinha de basquete onde pontificavam Gilson Ramalho, Geraldo Gomes, os irmãos Ivo Círiaco e José de Arimatéia e tantos outros que formavam a seleção de basquete e que sempre jogavam com a seleção de Areia Branca e tantos outros que jogaram e não são citados porque a memória não me ajuda mais. Naquela década, final de quarenta disputavam jogos em tua quadra de malacacheta, esta juventude que não teve seguidores.

Aquele “mecenas” que te revigorou, te deixando como orgulho da cidade, com novo jardim, bancos de mármore, canteiros floridos e arborizados, onde casais de namorados se encontravam, as retretas aos domingos, tudo isso mostrava, a tua importância e o teu poder de atração, Depois deste “mecenas” de 1950, não apareceu mais ninguém.

Passado tantas décadas, não te ajudaram a seguir o “progresso”, pois teus sobrados desapareceram, as flores dos teus jardins murcharam, as tuas árvores também sumiram, até a tua mocidade é raridade, pareces que és “terra de ninguém”, onde todos mandam e nada é feito.

Que fizeste para seres desprezada, tão maltratada, pareces que és filha enjeitada.

Vocês dirigentes públicos e políticos, devolvam a esta praça, aquilo que muitos de vocês encontraram ainda bela, que os pais de vocês bem conheceram, a beleza, o charme, o “glamour” que ela possuía, para que o macauense do futuro se orgulhe do que os seus antepassados fizeram.

Cadê o prédio do Ginásio Monsenhor Honório, a Casa Paroquial, o sobrado do seu Nascimento, o prédio de Pascoal Carrielo?

Lembrem-se que o progresso é necessário, pode existir, mas que a memória de uma cidade não deve ser destruída.

Esperamos que esta juventude que é simbolizada pela classe estudantil, não deixe que o obelisco do Centenário da Independência do Brasil passe de uma forma apagada. Esta coluna é o símbolo maior da nossa emancipação política.

[*] Pedro Bevenuto Paiva, é macauense da gema, nasceu na Rua dos Paivas, no Porto do Roçado e é colaborador assíduo deste site.

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