Aleluia, enfim, um boi no colunismo social!

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Onde moram os trabalhadores rurais e o dinheiro da seca nunca chega.

Onde moram os trabalhadores rurais e o dinheiro da seca nunca chega.

Um boi ou uma vaca eis a questão. É gado, bovino, carcaças, ossadas em cores compondo o cenário. Neste abril de 2013 a foto está lá na coluna social ao lado dos chiques e famosos. Na hemeroteca da Biblioteca Nacional acessei a Gazeta do Natal de 31 de março de 1888 e li o correspondente de Macau, … A falta do inverno estava impressionando aos mais receosos que vivem assombrados pelas repetidas sêccas de que tem sido victima o nosso sertão. … Lá se foram 135 anos e ainda hoje tratam a seca como se fosse um fenômeno. Não é, pois há um ciclo bem definido entre anos com muita chuva e anos com pouca chuva. Mas, se não é novidade porque tratar como se fosse? Eis a outra questão. Um pacto da burguesia no nascimento da nossa república definiu o como seria no nordeste do Brasil. Mantêm-se a baixo custo o povo — sacado a qualquer tempo – para baratear a  mão de obra. A fórmula testada no império, na guerra contra o Paraguai, haveria de dar certo na república: borracha, cafeicultura, construção civil, industrialização, Brasília, etc. e etc. Onde for preciso trabalhador para equilibrar a lei da oferta e procura, busca-se nas estantes do Nordeste. O custo de manutenção, baixíssimo, pois vivem com o mínimo existencial.

E para manter o controle disso tudo, inventaram as elites nordestinas, primeiro os coronéis imperiais, substituídos pelos modernos coronéis midiáticos, todos com rádio, jornal e televisão mantendo o controle e recebendo por isso. E quando o negócio não está muito bom, apela-se para o dinheiro da seca, que nunca chega aos verdadeiros trabalhadores rurais, empregados e pequenos agropecuaristas.  O dinheiro da seca fica a engordar patifes e patifas nas grandes cidades.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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