Areia Branca por Chico de Neco Carteiro

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Chevrolet-1928-Pickup-Truck-Raridade-Sao-Carlos-150x150Agora, neste 26 de abril, o amigo Francisco Rodrigues da Costa, Chico de Neco Carteiro faz aniversário. Eu havia preparado o post do belo texto de Chico, para lembrar que, por muito tempo em Macau, chegar até o mar não era fácil e que um veículo semelhante à “Escandalosa” de Areia Branca, a “Sopa de Agripino” era quem levava as pessoas até a ilha de Alagamar em Macau. Ali próximo ficava a Praia da Costa, cuja estrada passava ao lado da refinaria da CCN. Os que não iam para lá ficavam por ali num braço de mar, chamado Waikiki. Naquela época o acesso à praia de Camapum só rompendo manguezais a pé, ou então de barco pelo porto do Roçado. Somente na década de 1980 é que uma estrada construída pela prefeitura abriu caminho até o Camapum. Foi a grande conquista do macauense que pôde dizer: temos praia.

Tenho muito a agradecer ao amigo Chico, pois são das suas recordações de Areia Branca que me ajuda a reconstruir o que vivi em Macau. Parabéns Chico pelo seu aniversário.

Claudio Guerra para o baú de Macau

 O Beco do Panema

Era assim mesmo em tempos idos, em que a gente chamava aquele beco dando acesso à praia de Upanema.  E, para se chegar até lá, somente em jipe de tração nas quatro rodas, como o de seu Alfredo Rebouças, gerente da Cia. Comércio e Navegação. Salvo engano, o único de então na cidade.

A não ser assim, o negócio era enfrentar aqueles mil e duzentos metros a pé. Além de ter que romper um areal frouxo, o transeunte se deparava com uns carrapichos pretos, ditos cabeças de boi, que lhe infernizavam a sola dos pés. Como sofreram os jovens da Cruzada Eucarística quando faziam seus piqueniques ali.

Na época do veraneio, algumas famílias, de certo prestígio, arranjavam o caminhão da prefeitura, que as conduziam até onde iniciava o areal; a pé, os veranistas levavam alguns utensílios e mantimentos, enfrentando certa dificuldade, mas valia pelo lazer que os aguardava. De número reduzido, as casas eram de taipa, chão de barro, cobertas com palhas de coqueiro.

Foi no ano de 1953 que o prefeito Manoel Avelino deu  inicio à construção de uma estrada para beneficiar aquele caminho. Talvez pela falta de recursos financeiros ou por não existir material próprio, foi utilizado o lixo coletado na cidade que era colocado ao longo do beco. Uma grande peste de mosca tomou conta do local, incomodando alguns moradores nas imediações. Jerônimo Rolim, cuja casa era situada bem à beira da passagem, foi dos que mais sofreram.

Para amenizar o problema o prefeito mandou que, logo após despejar o lixo, fosse jogada areio sobre ele.

Até que,  com muito custo, conseguiu terminar a obra. Convém salientar que todo o serviço foi realizado com um caminhão, pás e picaretas, de vez que não se dispunha de trator ou qualquer outro mecanismo, a não ser o braço humano.

Concluída a empreitada, se não de primeira qualidade, mas de muita serventia ao povo areia-branquense, logo apareceram coletivos, como a “Escandalosa”, de Luiz Cirilo; o “Pau de Arara”, de Antonio Bernardo, fazendo a linha até a Casa do Farol, local da chegada. A meninada agora tinha mais um lazer além do gostoso banho na maré.

Se na ótica do ex-presidente da República Washington Luiz, “governar é construir estradas”, Manoel Avelino, com a construção daquele quilometro e duzentos metros de estrada, facilitou chegar-se á praia mais perto de Areia Branca. Sem dúvida, um sonhado benefício  pelo seu povo.

Hoje, o antigo e penoso percurso de um quinto de légua transformou-se numa pista asfaltada, graças ao trabalho de sucessivos prefeitos. Injusto seria não mencionar a ação do atual prefeito Souza que facilitou o acesso à praia construindo pistas novas, onde até há pouco tempo medravam algarobeiras  e pés de rosa cera. Muitos dos que se deleitam, trafegando por elas, nos seus veículos confortáveis, não sabem como sofreram os jovens da Cruzada Eucarística, tendo que enfrentar os espinhentos cabeças de boi, para chegarem ao agradável recanto do Atlântico.

Páginas 125 e 126 da obra Becos, ruas e esquinas, do escritor Francisco Rodrigues da Costa, Editora Sarau de Letras, Mossoró, 2012.

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