A luta do povo de Macau em 1951 no romance de Claudio Guerra

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cemiterio de Macau“Da calçada alta que circundava a capela do cemitério, o juiz Dantas Pereira observava a tropa desfigurada do major Ramalhinho e se remoía de raiva recordando do texto lido há alguns anos: “… e não é que aquele comunista safado tem razão! A Polícia Militar precisa selecionar melhor seus homens! Vejam esses aí, insolentes, preguiçosos, os uniformes sujos, sem botões, a barba por fazer. Ah! Eu tenho que falar sobre isso com o governador.” Estava nesse devaneio quando foi convidado a fazer sua evocação em memória dos mártires de 1935. Ajeitou a camisa, a gola do paletó, a gravata e a calça, olhou mais uma vez com desprezo para os soldados e passou a discursar com grande empolgação.

Por determinação do Ministro da Guerra, as comemorações do aniversário da “malograda Intentona Comunista” deveriam ser “imponentes” naquele 27 de novembro de 1950.”

 

Capítulo  17, página 87 do romance de Claudio Guerra,  Ninguém para a Coréia. O romance fala do episódio ocorrido em Macau no início de 1951 quando o povo fez valer sua voz em reivindicações de cunho local [contra a falta d’água], nacional [contra a inflação] e internacional como a luta contra o envio de tropas brasileiras para a invasão da Coréia como era exigido pelo governo dos Estados Unidos.

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