Não, Não quero beber essa taça de fel. Uma poesia de Nair Damasceno

0

Recusa

 

Barco abandonado em Barreiras Clarissa Guerra 2013Não,

Não quero beber essa taça de fel

Por ter acreditado no arco-íris

Das bolhas de sabão,

Nas simpatias

Das noites de São João,

Nas palavras e juras,

Claras, obscuras,

Lavas a correr,

Lágrima a discorrer.

 

Não quero beber essa taça de fel

Por ter acreditado

Na força da onda

Que virou espuma,

Em piratas destemidos,

Castelos encantados

E em sapos

Príncipes encarnados.

 

Não, não vou beber essa taça de fel

Por ter acreditado em anjos,

Fadas com varinhas de condão,

Mágicos e poções,

Amores,

Tapetes voadores,

Inferno e céu…

Por ter acreditado

Em santos, demônios,

Duendes, fadas

E Papai-Noel,

Todos de papel.

 

Nair Damasceno [ndapaiva@yahoo.com.br] em 31 de dezembro de 2012

Deixe uma resposta