A Alcanorte e os militares

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A primeira diretoria da Alcanorte era composta em grande parte por militares. À época diziam que a empresa era de segurança nacional em razão do produto barrilha ser componente para explosivos. A justificativa nunca me convenceu, penso que haviam outros motivos para o fato.  Abaixo um trecho do livro Alcanorte da farsa às cinzas sobre o assunto.  de Claudio Guerra para o baú de Macau.

 

Alcanorte, 2005. Foto: Getulio Moura

Alcanorte, 2005. Foto: Getulio Moura

O Diário Oficial do Estado nº 3.283, de 13/11/1974 publicou a Ata da Assembleia Geral de Constituição da ALCANORTE. A formalização da empresa se deu através da Assembleia Geral de Constituição, realizada no auditório do Departamento de Estradas, na Avenida Salgado Filho, em Natal, no dia 30/10/1974, com as presenças do presidente da República, General Ernesto Geisel, o ministro da Indústria e do Comércio, Severo Fagundes Gomes, o governador do Estado, José Cortez Pereira de Araújo e o general Edmundo Orlandini, presidente da CNA, dentre outros.

O capital subscrito foi de Cr$2 milhões, tendo sido integralizado, no ato, 15% e o restante seria integralizado “no prazo máximo de trinta dias a critério da diretoria da nova sociedade”. O capital autorizado foi de CR$10 milhões “dividido em 10.000.000 de ações ordinárias e preferenciais no valor nominal de Cr$1,00 cada uma”, que, “O capital social autorizado será dividido em 7.000.000 de ações ordinárias e 3.000.000 de ações preferenciais,…”

É interessante observar a composição da direção da empresa, em parte composta por militares. São militares da ativa ou reformados: o presidente, Edmundo Orlandini; o membro do Conselho de Administração: Moacyr Tavares Carmo; os membros do Conselho Fiscal: Orestes Lins da Rocha Lima; Ronaldo Miragaya, Jacy Soares Sampaio, Orlando Medeiros; da Comissão de Remuneração: Sylvestre Travassos; Membro do Conselho Fiscal: Tertius César Pires de Lima Rebello; o diretor, Paulo Rubens da Gama Barreto Vianna; são estrangeiros: os membros do Conselho de Administração: Johannes Albertus Wolhoff [holandês] Hugo Boudwijn van Walré de Bordes [suíço], Joseph Rudolph Hutter [holandês], o Diretor, Jan Embertus Maria van Tilburg [holandês].

Páginas 34 e 35 do livro Alcanorte – da farsa às cinzas, de Claudio Guerra, Sebo Vermelho, Natal-RN, 2009,  ISBN: 978-85-909130-0-9

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