Um dia de recreio no Duque: catucar ou cutucar?

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AD, 1950, GE Duque de Caxias, Arquivo Anaide Dantas

GE Duque de Caxias, Arquivo Anaide Dantas, década 1950

Foi no recreio que a confusão teve início. Tudo começou com uma palavra e formou-se a controvérsia.  Uma das meninas falou:  – Não se deve catucar os outros. A outra ouviu e disse professoral:     – Não é catucar, o correto é cutucar.  E formou-se a contenda e as amiguinhas tomaram partido.  Por fim uma disse e as outras concordaram. -Consultemos o dicionário.

Foram à biblioteca da escola em busca do dicionário que daria fim à polêmica. Não puderam entrar, pois alunos estavam de castigo e a biblioteca da escola era o lugar onde se cumpriam os castigos. Deixaram para o dia seguinte.

Uma delas esqueceu o ocorrido, mas a outra não havia esquecido e chegou à escola com o dicionário na mão e a página marcada no cutucar. A outra acolheu o golpe e aceitou que perdera e as amigas, mesmo decepcionadas, foram solidárias.

Ficou chateada o resto da aula e no recreio amuou-se num canto. Em casa nem quis almoçar. Era muito para ela filha de professora, com irmã professora e com os irmãos se formando doutores. Enfim, o baque era grande e ela já fuzilara com o olhar todos os empregados da casa e do curral do seu pai que falavam catucar.

Mais tarde, já se recuperando foi contar o ocorrido para sua irmã. A irmã, pacienciosa foi buscar o dicionário e que felicidade…, estavam lá as duas formas: catucar e cutucar. Enfim poderia se recuperar no dia seguinte perante as amigas.

Enfim, é assim, sempre existe a língua certa do povo,… que fala gostoso o português do Brasil  como disse Manoel Bandeira na Evocação do Recife.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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