Procissão, amor é fé: das melhores recordações de Macau no texto apaixonante de Nair Damasceno

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Exaustas de tanto amor

 

Procissão N.S. dos Navegantes na década de 1970 em Macau. Foto Seu Santos, arquivo de José de Arimatéia Gomes

Procissão N.S. dos Navegantes na década de 1970 em Macau. Foto Seu Santos, arquivo de José de Arimatéia Gomes

Nos dias de procissão fazíamos toda uma reprodução de beleza logo cedo para fazer bonito no cordão: farda de gala bem engomada e bobes no cabelo, afinal, éramos da linha de frente.

O calor, o sol e a poeira de barro vermelho levantado pelo vento não chegava a incomodar. Tudo acontecia em frente à igreja de Nossa Senhora da Conceição. Uma hora antes da saída da procissão estávamos todos a postos: componentes da Cruzada, Escoteiros e  Lobinhos, da Terra e do Mar; alunas do ginásio contritas usando véu e segurando o missal; crianças vestidas de anjo e populares. Padre Zé Luiz e padre Penha organizavam todo o cortejo obedecendo a uma sequência pré-estabelecida: anjos na frente, Cruzada, cordão, Escoteiros, populares. Padre Penha ia logo no início e padre Zé Luiz, com sua voz encorpada, ia mais atrás, ambos ‘puxando” os cânticos religiosos.

Nós ficávamos sempre próximas uma das outras no cordão, orgulhosas em nossas roupas de gala, nossos véus e nossos cabelos saídos quentinhos dos bobes; estávamos mais belas que nunca. A procissão saía e o hino religioso era:

Meu coração é só de Jesus

 A minha alegria é a Santa Cruz.

 Eu só peço a Deus em minha oração

 Que viva Jesus em meu coração.

Lá íamos nós cantando durante todo percurso:

Meu coração é só de ……………(dizíamos baixinho o nome de nossos apaixonados)

Eu só peço a Deus em minha oração

 Que viva ……………. em meu coração.

Quando a procissão voltava à igreja era uma verdadeira festa após a missa: banda de música, foguetões, girândolas, e nós?  Nós estávamos exaustas de tanto amor, quase explodindo de tanta felicidade! 

De Nair Damasceno [ndapaiva@yahoo.com.br] para o baú de Macau

 

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