Pequenas intrigas na Macau do começo do século XX

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Sociedade macauense no começo do século XX. Arquivo de Francisco Gama

Sociedade macauense no começo do século XX. Arquivo de Francisco Gama

Os dias passavam regulares e insípidos como os de uma aldeia sertaneja. Sobre o crespo incidente da Teresa e espalhavam-se lentamente os últimos comentários, onde havia uma vaga admiração pela atitude do Dr. Aluísio, um sarcasmo inclemente para o Joaquim Caetano, que além da bofetada, tivera na casa do sogro e nas suas duas cenas amargas, com a assistência de toda a vizinhança.Uma placidez amolentada caía sobre a cidade nesse dolente começo de inverno. E tão grande e tão dormente se tornara a monotonia, que o reumatismo do velho Tobias (um homeopata que andava de fraque); o pano novo que viera do Recife para o bilhar do Zezinho; um italiano vindo do Açu que consertava tudo e vendia relógios; um paletó excessivamente comprido do Dr. Luís de Melo – eram novidades que absorviam toda gente e todas as palestras.

Página 131 do romance Macau do escritor Aurélio Pinheiro.

Leia mais sobre o autor acessando: http://www.obaudemacau.com/?page_id=1284

 

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