De Areia Branca para Macau: um poesia de F. Burlamaqui

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Martyr de amor

                                                    A Gothardo Neto

 

Areia Branca, década de 1950

Areia Branca, década de 1950

Eu vou tambem galgando o meu calvário

Pela escabrosa estrada da amargura,

Sem ser um Christo como o da Escriptura,

Sem ser um santo ao mundo refractario.

 

 

Cheio de culpas, peccador diario,

Nos hombros levo a Cruz da desventura,

Mas vou sereno como quem procura

Na fè, consolo, p´ra um cruel fadário.

 

Andei pregando a doutrinal verdade

Da lei do amor, que salva a humanidade

E regenera os corações mais duros.

 

Mas fui trahido; Cyrineu não tenho;

Meu Evangelho pagarei no lenho

Duns níveos braços, que não são perjuros! …

                                                                             

                                                                   F. Burlamaqui

(Areia Branca)

Página 7 – Parte Literaria e Recreativa do Almanak  de Macau – 1909

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