Um poesia de Dom Pedro Casaldáliga

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Do poeta Horácio Paiva recebemos o e-mail com a poesia de fé e amor de Dom Pedro Casaldáliga.

dom pedro casaldaligaComunhão na Trindade.

                      Querido Horácio, recordado com saudade e em comunhão constante e crescente n’Aquele que, num Intereclesial das CEBs, definimos como “A Santíssima Trindade é a melhor comunidade”.  Estamos mesmo “na volta”, na conversão definitiva e diária, agasalhados no Mistério, levados no Amor.  E seguiremos muito unidos na Fé e na Poesia, nas Lutas e na Esperança.  Com um abraço grande, do tamanho da nossa Utopia, que é o sonho do Pai de Jesus: o Reino.  Te anexo um poema que adquiriu certa atualidade por causa da JMJ.     Pedro Casaldáliga.

 

 

                      SEU NOME É JESUS

À juventude envolvida nos desafios da JMJ

Deus veio a casa, despojando-se de sua glória.

Pediu licença ao ventre de uma menina,

sacudido por um decreto do César,

e se fez um de nós:

um palestino de tantos na rua sem número,

meio-artesão de trabalho grosseiro,

vendo passar os romanos e as andorinhas,

morrendo, depois, de má morte matada,

fora da Cidade

Já sei

que há muito tempo

que o sabeis,

que vos o dizem,

que o sabeis friamente

porque vos o dizem com palavras frias…

Quisera que o soubésseis

de golpe,

hoje, quiçá

pela primeira vez,

surpreendidos, desconcertados, livres de mitos,

livres de tantas liberdades mesquinhas.

Que os o dissesse o Espírito

como uma facada em tronco vivo!

Quisera que O sentísseis como uma onda de sangue no coração da inércia,

em meio a esta corrida de tropeçadas rodas.

Quisera que désseis n’Ele como na porta de Casa,

retornados da guerra, sob o olhar do Pai e seu beijo impacientes.

Quisera que O gritásseis

como um grito de vitória pela guerra perdida,

ou como o parto sangrento da esperança,

na cama de vosso tédio, em plena noite, amortecida toda ciência.

Quisera que O encontrásseis, em um abraço total,

Companheiro, Amor, Resposta.

Podereis duvidar que tenha vindo a casa,

se esperais que os mostre a patente dos prodígios,

se quereis que os sancione a preguiça de viver.

Mas não podeis negar que se chama Jesus, com a patente do pobre.

E não me podeis negar que O esperais,

com a louca carência de vossa vida repudiada,

como se espera o alento retornando da asfixia

quando se sentia na garganta a morte, serpente de perguntas.

Seu nome é Jesus.

Se chama como nos chamaríamos

se fossemos nós mesmo.

Pedro Casaldáliga

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