Dos Paivas: de Horácio para Nair a propósito de um poema.

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paivaPrezada Nair, que doce o seu poema! Fez-me lembrar velhas recordações de infância (os alfenins vendidos no pátio do antigo mercado de Macau). Mas quem era o seu pai, quem era o seu avô? Pergunto-lhe só para aclarar a memória, pois acho que você é minha prima. Sabe que fiz uma longa pesquisa sobre os Paiva? E sabe o que descobri, surpreendentemente? O primeiro a usar o sobrenome, em Portugal, foi João Soares de Paiva, trovador, nobre e magistrado, nascido, provavelmente, em 1.140. Adotou, como sobrenome, o nome do rio, afluente do Douro, que banhava suas terras (outros alegam, também, um parentesco com Carlos Magno, que tinha, como uma de suas concubinas, uma princesa de Pavia, Itália, capital do Reino Lombardo). Mas, ainda mais surpreendente: o primeiro registro literário em língua portuguesa (uma sátira, cantiga de escárnio ou sirventês) é atribuída a ele. Digo em língua portuguesa, mas, na realidade, trata-se do português arcaico, ou galaico-português  –  idioma que deu origem às duas línguas, o português e o galego, o vernáculo culto da época,  o preferido dos poetas medievais em toda a península Ibérica. Parabéns! Horácio Paiva.

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